Aplicativo de mobilidade urbana que opera em Campo Grande disponibiliza motoristas do sexo feminino para suas usuárias. O pedido surgiu de passageiras e das próprias condutoras, que se sentem mais seguras nas viagens. Não é pra menos, até agora, MS registrou 425 casos de estupro, a maioria contra mulheres.
Conforme o gerente regional do K-rona em Campo Grande, Wagner Peres, assim que a usuária acessar o aplicativo, terá a opção de acionar só motoristas mulheres. No entanto, se não houver nenhuma colaboradora disponível naquele momento, a chamada será redirecionada para motoristas mais próximos, que aí podem ser de ambos os sexos.
''Essa medida foi pensada na segurança de todos, tanto de usuárias quanto de motoristas'', explicou o dirigente.
No entanto, para ter essa funcionalidade ativa, o aplicativo tem de estar cadastrado com o nome e dados pessoais de uma mulher. Cadastro em nome de homens não terá essa funcionalidade.

(Opção de escolha de motorista feminina ou masculino - Foto: Reprodução)
Em São Paulo já existem aplicativos que prestam esse serviço, mas somente como motoristas mulheres e transportando somente pessoas do sexo feminino. Todos prestam o mesmo serviço de carona paga, como a Uber, K-rona, 99 Pop e Cabify.
Medo
Apesar da violência contra a mulher estar presente em todos os ambientes e circunstâncias, um caso ocorrido em Minas Gerais trouxe insegurança para quem utiliza aplicativos ou grupo de caronas pagas.
No dia 1º de novembro, a radiologista Kelly Cristina Cadamuro combinou dividir uma viagem com um rapaz, de São José dos Campos (SP) até Itapagipe (MG), em um grupo de caronas pelo WhatsApp. Ela não esperava que o membro do grupo, Jonathan Pereira do Prado, fosse a atacar em plena viagem.
A vítima foi agredida até ficar desacordada, em seguida foi amarrada, roubada, estuprada e morta.
Aqui em Campo Grande já houve um caso de assédio por motorista de aplicativo. Uma passageira de 18 anos relatou ter sido importunada por um condutor, que a chamou de ‘linda e gostosa’. Ela conta ainda que se desvencilhou dele, desceu do carro e pediu ajuda a populares em um ponto de ônibus.

(Kelly foi estuprada e morta por 'companheiro' de carona em MG - Foto: TV Tem)
Dirigindo pelo aplicativo há cerca de quatro meses, Ivete Vilela, 48, diz que foi uma das mulheres que reivindicou a medida junto à empresa.
''As mulheres se sentem mais à vontade conosco. Eles pedem nosso celular, querem corrida particular, por fora, mas como não pode, foi criado essa facilidade'', revelou.
''É segurança tanto para elas quanto para a gente. Para quem dirige à noite isso é ótimo. Eu mesmo já fui até a uma da manhã'', explicou.
Ivete diz que nunca sofreu assédio, mas sabe de relatos de quem já passou por esse tipo de abuso.
As primeiras viagens com essa funcionalidade começaram na sema passada. O gerente da empresa garante que são, em média, 60 chamadas desse tipo por dia.








