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Campo Grande

11/09/2015 18:12

Sem coleta, pedestres disputam espaço com lixo nas calçadas na Capital

Há quatro dias os sacos cheios de lixo descartados pelos campo-grandenses não são coletados pela Solurb, concessionária responsável pelo serviço na cidade. Na terça-feira (8), funcionários da empresa decidiram iniciar uma greve justificando que não têm recebido pagamentos da Prefeitura Municipal. Até que esse impasse seja resolvido, quem sofre as consequências é a população.

Na manhã desta sexta-feira (11), o prefeito Alcides Bernal prometeu realizar uma força-tarefa para resolver a questão do recolhimento de lixo nas ruas. Enquanto o trabalho está sendo preparado, a coleta segue paralisada.

A dona de casa Rosely Calixto Ribeiro, de 44 anos, que mora na região rural e há meses não vinha para a cidade, se surpreendeu com tamanha sujeira espalhada ao chegar. “Tá muito, muito feio. Dá a impressão de um lugar abandonado, não parece uma Capital”, opina.


Foto: Amanda Amaral

Foto: Deivid Correia

 

Para quem trabalha no Centro, onde há uma grande concentração de sacolas e caixas nas calçadas, o prejuízo já começa a aparecer. “As pessoas passam na frente da loja e não sentem vontade de entrar, não sei se acham que a culpa é dos comerciantes. Tem que ter uma solução, porque pega sol e chuva e o cheiro só piora”, diz o ourives Armando Yahya, 78 anos, que trabalha em uma joalheria na avenida Calógeras e declarou nunca ter visto situação parecida.

O vendedor de água de coco José Garcia, 27 anos, também se sente prejudicado com a diminuição da procura em sua barraquinha, na Avenida Afonso Pena. “Fica essa nojeira, insalubre, o povo tem receio de consumir o produto. Mas fazer o que, é a ‘fotografia’ do nosso governo isso aí”, desabafa.


Foto: Amanda Amaral

Foto: Amanda Amaral

“É um caos, né? Fico pensando nesse pessoal que trabalha na separação do lixo, como ta sendo pra eles, que não estão recebendo material nenhum”, pontua a diarista Ana Carla Santos, 40 anos. No condomínio onde mora, no Jardim Tijuca, a decomposição dos resíduos trouxe outros problemas que não existiam antes, como moscas-varejeiras e até mesmo urubus. “Fica tudo amontoado na calçada, quero ver é como vai ficar nos próximos dias”, diz, preocupada.

Prefeitura planeja ‘força-tarefa’ própria

Na manhã desta sexta-feira (11), o prefeito Alcides Bernal prometeu realizar uma força-tarefa para resolver a questão do recolhimento de lixo nas ruas. O anúncio foi feito durante uma reunião com a diretoria, os técnicos na Seintrha (Secretaria Municipal de Ifraestrutura, Transporte e Habitação) e demais instituições para planejar as ações de limpeza nas ruas da Capital.

"Estamos buscando alternativas para o caos instalado em Campo Grande. O problema vivido hoje é o lixo. Faremos um mutirão para não deixar a situação como está. Vamos ter que negociar, contar com nossa credibilidade, porque a Prefeitura não tem recursos", disse Bernal.

A previsão é que o levantamento sobre o pessoal e a conclusão do planejamento dessa força-tarefa se concretize ainda hoje. O prefeito prometeu que os trabalhos serão feitos durante o final de semana.

Impasse 

A empresa responsável pelo coleta de lixo e varrição de ruas paralisou o serviço desde terça-feira (8). Em ofício, eles afirmam que só vão retomar os trabalhos ao receberem R$ 23, 8 milhões da Prefeitura Municipal.  Em contrapartida, O Município alega que não existem pagamentos em aberto e afirma que as despesas dos serviços dos meses de junho e julho ainda não foram liquidadas porque o processo está em andamento para ser atestada a prestação de serviço.

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