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segunda, 17 de janeiro de 2022 Campo Grande/MS
Campo Grande

Sem policiamento, moradores do Itamaracá se sentem reféns da insegurança

21 novembro 2015 - 10h21Por Amanda Amaral

A falta de segurança nos bairros afastados de regiões da Capital é um dos constantes motivos de reclamação da população, que muitas vezes precisa abrir mão do direito de liberdade para não correr o risco de ser alvo de algum crime. No Jardim Itamaracá, na região sudeste de Campo Grande, o problema não é recente e há anos os moradores cobram por maior policiamento nas ruas.

“Temos que contar com a sorte por aqui”. A frase é dita pelo aposentado José Rodrigues, 85 anos, e comum entre a vizinhança. Morador da rua Guiomar Alves de Almeida – que por sinal também nunca foi asfaltada, o idoso conta que já teve a casa vinte vezes invadida por bandidos. “A gente até desiste de denunciar, porque dá mais trabalho pra nós do que pra polícia, porque aqui na redondeza nem tem mais uma delegacia, mas igreja tem de monte. Só rezando por proteção, mesmo”, se queixa, em tom de brincadeira.

 

Os crimes são constantes e não tem horário para acontecer, como o assassinato de um homem por uma garrafada na garganta, que aconteceu no último mês, a uma quadra de distância da casa do mecânico, Sebastião Anésimo, 61. “Malandrinhos tem aos montes, mas não tenho inimigos e não dou sopa pro azar. A polícia deve tentar dar conta, mas ainda assim posso dizer que a falta de segurança é o nosso pior problema, sempre tem ‘muvuca’ de bandidagem”, diz.


 

Ele conta que mora há dez anos no bairro e que a casa que fica na frente da sua costumava ser uma boca de fumo. “Era movimento dia e noite, não tinha paz. A gente aqui vivia com medo, nem atravessava a rua direito. Agora a casa é vazia, mas sempre invadem pra fazer ‘sei lá o quê’”.

“Só quando morre gente mesmo pra encher de polícia. Nem quando uma vizinha foi assaltada, agredida e ameaçada atenderam o chamado pra vir pra cá”, relata a dona de casa Lauriane Mercado Soares, 21 anos. “Antigamente tinha um posto policial no bairro do lado, o Campo Alto, mas fechou faz um tempo, e não é por falta de necessidade do povo”, disse.

 

Mãe de três crianças pequenas, que gostariam de passar o tempo em que não estão na escola brincando nas ruas, Daiane Ferreira, 27 anos, reclama que não tem como oferecer lazer nas proximidades aos seus filhos. “Além de não ter uma pracinha sequer pra eles aproveitarem a infância, a gente tem medo de deixar eles soltos na rua, brincando. Imagina se acontece alguma coisa? Tem muito moleque mal intencionado, de gangue e vândalo por aí”, lamenta.