A crise na saúde pública de Campo Grande ganhou contornos ainda mais alarmantes em 2025. Um servidor concursado da Prefeitura, lotado em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), afirma que a situação, que sempre foi difícil, atingiu um nível crítico neste ano. Segundo ele, o que tem sido mostrado em reportagens recentes não apenas é real, como representa apenas parte do problema enfrentado diariamente por quem trabalha na linha de frente.
De acordo com o relato, a UPA Coronel Antonino, uma das mais procuradas pela população e frequentemente alvo de reportagens, funciona em meio à falta de recursos humanos, ausência de materiais básicos e uma gestão que, segundo o servidor, “acoberta as mazelas da unidade”. Ele aponta que a gerência local e a responsabilidade técnica médica seriam cargos de confiança e não estariam cobrando soluções efetivas para os problemas estruturais.
O cenário descrito é de risco constante à vida dos pacientes. Na chamada sala vermelha, destinada a casos graves, não haveria sequer um aparelho de pressão em condições adequadas para aferir a pressão arterial. Também faltariam monitores multiparâmetros, equipamentos essenciais para avaliar pressão, frequência cardíaca, saturação de oxigênio e ritmo cardíaco.
“Para monitorar um único paciente, precisamos juntar três aparelhos diferentes, e ainda assim de forma precária”, relata.
A situação se agrava quando chegam pacientes com quadros potencialmente fatais. Segundo o servidor, pessoas com dor torácica e suspeita de infarto estão sendo medicadas apenas com dipirona, por falta de medicamentos específicos para alívio dos sintomas e estabilização do quadro clínico.
O servidor diz que o medo de represálias impede denúncias formais. Segundo ele, profissionais que questionam ou expõem a realidade da unidade recebem advertências internas, conhecidas como “termos de orientação”. Em um caso recente citado, uma médica que gravou um vídeo denunciando a situação da UPA teria sido desligada.
“Não temos o que fazer. Se fala, é punido. Se fica quieto, assiste o paciente sofrer”, desabafa.
Além da falta de insumos, a estrutura física das UPA também preocupa. Consultórios apresentam cadeiras e macas danificadas, equipamentos antigos e em más condições de uso, e portas deterioradas. Banheiros estariam com privadas interditadas e vasos sanitários sem tampas. Muitos aparelhos de ar-condicionado estariam sujos ou sem funcionamento, comprometendo a higiene e o conforto de pacientes e profissionais.
O conjunto de problemas revela um cenário de abandono e risco, que prejudica tanto a população quanto os trabalhadores da saúde, obrigados a atuar em condições precárias e de forma improvisada para atender a demanda crescente.
A reportagem buscou a Prefeitura de Campo Grande para se posicionar sobre a falta de insumos, medicamentos e condições estruturais da UPA, mas não obteve retorno até a publicação.







