O sepultamento do pequeno Ravi, recém-nascido que morreu após um parto na Maternidade Cândido Mariano, em Campo Grande, foi realizado na tarde desta sexta-feira (24), após mais de uma semana do caso, já que a mãe, Cláudia Batista da Silva, precisou permanecer internada desde o dia do parto.
A dor da despedida ainda se mistura à revolta da família, que denuncia negligência médica e violência obstétrica. Segundo Miriam Souza da Silva, avó paterna do bebê, o corpo de Ravi e a placenta foram enviados ao Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) sem identificação, o que obrigou a família a fazer o reconhecimento presencialmente.
“A mãe vai para a maternidade para viver um momento de felicidade e acaba passando por toda essa violência. A gente percebe o despreparo dos profissionais. Faltou amor, humanidade. O Ravi estava vivo até o momento em que expeliram a cabecinha dele”, lamentou Miriam.
A família afirma que busca justiça, não apenas pelo pequeno Ravi, mas também por outras mães que, segundo eles, passaram por situações semelhantes. “Nada vai trazer nossos bebês de volta, mas é preciso que isso não aconteça de novo”, completou a avó.
Eles estão convocando mulheres que afirmam ter sofrido violência obstétrica na Maternidade Cândido Mariano a entrarem em contato com a família para reunir denúncias e levá-las ao Ministério Público.
A avó materna, Elida Mendonça Batista, também falou sobre o sofrimento da filha e a frustração diante do que seria um dos dias mais felizes da família.
“Sabe o que é preparar tudo, fazer um pré-natal certinho, e no fim viver um terror por negligência médica? Minha filha chegou um dia antes e não foi atendida como deveria. Era para ser alegria, mas foi dor”, desabafou.
A tia de Ravi, Cleonice Batista da Silva, reforçou que a gestação foi saudável e que todo o pré-natal foi acompanhado. “A minha irmã estava com o quartinho pronto, tudo preparado com tanto amor... é uma injustiça, uma negligência médica. Estamos todos sofrendo. Queremos justiça”.
O caso
O caso aconteceu na quinta-feira passada (16), e informações do boletim de ocorrência mostram que o parto foi antecipado e os médicos trataram os pais com frieza e descaso.
Conforme o B.O, a mãe de Ravi, Cláudia Batista da Silva, entrou em trabalho de parto na quarta-feira (15), por volta das 11h, quando se deslocou para a maternidade. Às 12h30, a mulher ficou em uma espécie de 'sala de parto', e até então o bebê estava com os batimentos cardíacos normais.
O parto só foi começar às 8h de quinta-feira, sendo que, ela estava com apenas 6 centímetros de dilatação, quando o correto é 10. O procedimento foi realizado por dois médicos e cinco auxiliares.
Ainda conforme o boletim, o marido da gestante, Eduardo de Souza, foi acionado pelos médicos a auxiliar, para realizarem uma retirada forçada do bebê.
"Quando viu que a cabeça do bebê estava para fora, notou que a cabeça estava em um formato anormal (deformação) e que havia um coágulo na cabeça do bebê [...]. No momento que a cabeça do bebê foi expelida, não notou nenhum sinal vital do bebê", disse o relato.
O médico teria então puxado o bebê com toda força pela cabeça. Assim que a criança saiu, sem batimentos cardíacos, ele foi colocado de forma brusca no colo da mãe. A equipe tentou reanimá-lo, mas após 40 minutos o óbito foi declarado.
Logo após o óbito, um dos médicos teria dito para a mãe que o casal "é jovem, e poderiam fazer outro bebê, que se eles retornassem, dessa vez ele faria uma cesária".
Informações e imagens obtidas pelo TopMídiaNews reforçam que o parto foi realizado de forma forçada, e que o corpo do bebê foi encaminhado para o IMOL (Instituto Médico e Odontológico Legal), sem a entrega de um documento oficial para a família com detalhes da morte.
Em nota encaminhada para a reportagem, a Maternidade Cândido Mariano alega que não houve falhas, e que complicações são "imprevisíveis".







