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quinta, 24 de setembro de 2020
Cidade Morena

Abalada, mãe de Mayara diz que defesa de assassino tenta culpar vítima pelo crime

Advogado de autor confesso tenta derrubar qualificadoras da pena e insiste que houve ‘descontrole geral’

29 março 2019 - 14h51Por Amanda Amaral e Nathalia Pelzl

Em dia de julgamento de Luís Bastos pelo assassinato da musicista Mayara Amaral, a família da vítima demonstra abalo e choque com a defesa do assassino confesso. O advogado Conrado Passos tem como principal estratégia demonstrar seu cliente como refém do vício em drogas, que não cometeu feminicídio, violência doméstica ou agiu por motivo fútil, de forma a diminuir a pena do acusado.

Mãe de Mayara, Ilda Cardoso se diz inconformada e chorou com as declarações da defesa. “Eles não tiveram briga, mas ele não tem nem um arranhão. [...] A história da doença também é uma mentira”, diz, sobre duas das falas do advogado de Bastos, que fundamentam o assassinato como o resultado de um descontrole geral dos envolvidos após discussão.

Ilda falou que não tinha tido contato com o Luís, quem a filha já teria lhe contato que estaria ‘só  beijando na boca, nada sério’, já que estava prestes a viajar para cursar mestrado. “É culpa das drogas, as famílias deveriam dar as mãos por terem perdido os filhos para droga”, adicionou.

Defesa

Conrado Passos defendeu que o caso não deveria ser definido em júri popular, e chamou o crime de ‘eventual’, envolvendo pessoas que tinham a ficha limpa. Ainda, acusou a promotoria de buscar ‘quinquilharias’ para agravar o crime e afirmou que a vítima de fazia parte de um ‘quadrilátero amoroso’, junto a outro rapaz e a namorada do assassino.

“O Luís queria ir embora do motel, mas a Mayara não deixou, e ainda jogou na cara dele que passou doença para ele e para a namoradinha. [...] A defesa pede que vossa excelência julgue ele pelo que ele fez, um homicídio em um momento se descontrole emocional e mental”, disse. 

Perito diz que foi traumatismo craniano encefálico por uma ação sendo contundente, sendo que forma cruel seria se ela tivesse sido amarrada, torturada. A defesa nega as acusações comprovadas em exames.

“Uma pancada só que ele lembra, mas estava tão louco, cheio de cachaça e porcaria, foi violenta, foi, mas só uma pra morte da menina foi suficiente. [...]  Sendo assim, não foi cruel, pois mesmo que ele tenha golpeado outras vezes. Já seria com ela morta, ou seja, no cadáver. Então, não tem como ser julgado como meio cruel, não consta nos autos”, alega, citando laudo que comprovaria que Luís não teria plena capacidade de discernimento.

O furto de pertences de Mayara, como o veículo, também está fora do espectro das motivações do crime, na ideia do advogado. Disse que Luís só ficou com os itens devido ao crime praticado. “Não tinha como ele deixar no meio da rua, tanto que o celular jogou no terreno baldio”, afirmou.

As falas continuam no Fórum de Campo Grande na tarde desta sexta-feira (29), quando o suspeito vai a júri popular, composto por cinco mulheres e dois homens.

Crime

Mayara foi morta a marteladas no dia 24 de julho de 2017 por Luis Alberto Bastos Barbosa, 29 anos, em um motel de Campo Grande. A musicista teve o corpo parcialmente carbonizado e abandonado em uma estrada próxima ao local conhecido como 'Inferninho'.

A defesa do suspeito, que está preso, alega que Luís cometeu o crime em um momento de 'surto' e que ele sofre de insanidade mental.

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