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Cidade Morena

Acusado de ódio em processo inédito: 'não tenho preconceito, fiz uma ironia'

Ele diz ter amigos de várias etnias, além de homossexuais

30 agosto 2019 - 18h30Por Thiago de Souza

Rafael Brandão Scaquetti Tavares, 34 anos, réu na 2ª Vara Criminal de Campo Grande, por crime de ódio contra negros, gays e japoneses, reafirmou que não é preconceituoso. Ele destaca que fez uma postagem usando de ironia para criticar acusações de que Jair Bolsonaro pregaria violência contra minorias nas eleições de 2018.

A publicação do TopMídiaNews foi ao ar na tarde desta sexta-feira (30), e gerou grande repercussão, onde mostrou que Rafael se tornou réu na Justiça por crime de ódio. A reportagem já havia ouvido a versão dele, mas Tavares fez questão de reafirmar sua posição no caso.

''...naquele momento eu tirei um sarro dele, ironizando comentários que ele havia feito...foi uma figura de linguagem...depois, foi recortado esse trecho do meu comentário e espalhado nos grupos de WhatsApp de esquerda na época'', justificou.

''...tenho 34 anos, moro em Campo Grande desde quando nasci, não dependo de dinheiro público, sou apenas um ativista político...minhas redes sociais podem comprovar que não tenho preconceito, tenho amigos negros, amigos gays, japoneses...'', detalhou Rafael.

O caso

Conforme a denúncia do Ministério Público Estadual, um internauta, que será identificado pelas iniciais E.F.M, aparentemente contrário ao então candidato, Jair Bolsonaro, relembrou no Facebook um episódio vivido quando tinha dez anos. Na história, ele conta que jantava com familiares e um convidado da família.

Em dado momento, seguiu o internauta, o tal convidado narrou uma situação onde teria pego uma mulher furtando mandioca na plantação dele. Como castigo, o homem contou, em tom de satisfação, que teria surrado a suspeita com um caibro. Essa postagem havia sido feita para ilustrar o risco de eleger um presidente, tido por alguns grupos na sociedade como incentivador da violência.

Postagem em tom irônico virou processo criminal. (Foto: Reprodução site TJMS)

Ainda conforme o processo, foi justamente na seção de comentários dessa postagem que Rafael escreveu sobre bater em negros, gays, japoneses e índios, caso Bolsonaro fosse eleito. A postagem tem nítido tom de ironia, inclusive, em depoimento, E.F.M admitiu que entendeu as palavras como brincadeira, embora não concordasse com o conteúdo.

Porém, o MPE não aceitou a justificativa do acusado, alegando que não havia emojis de risadas ou outros elementos de texto para mostrar que se tratava de ironia e o denunciou.