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Água de Campo Grande não oferece risco à saúde, defende gerente de tratamento

"População não precisa ficar preocupada, 'tem agrotóxico ou não tem'? A resposta é: não tem", reforça

17 ABR 2019
Nathalia Pelzl
19h00min
Foto: Assessoria

O gerente de tratamento de água da Águas Guariroba em Campo Grande, Clayton Bezerra, descartou a possibilidade de agrotóxicos na água fornecida para os campo-grandenses, após ser divulgado um estudo demonstrando o contrário.

“Desde 2014, nosso limite de quantificação de agrotóxicos está sendo, semestre após semestre, menor do que o previsto. No segundo semestre de 2018, mostra que em Campo Grande, no grupo de análise, quando selecionamos s os agrotóxicos, o limite de quantificação é abaixo, ou seja, não constata agrotóxico”, reforça.

Clayton pontua que até o momento não foram apresentados parâmetros quem quantifiquem presença de agrotóxicos e descarta o risco para a população campo-grandense.

“Não é possível afirmar que exista contaminação na água. Os dados são públicos. Hoje a população não precisa ficar preocupada, 'tem agrotóxico não tem'? A resposta é: não tem. De 2014 pra cá, nenhum parâmetro é apresentável, quem dirá quantificável. Quando foi feita a amostragem do Sisagua (Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano), não levou em conta o texto, só viu número. E se tivesse? Ainda assim seria dentro do VMP (Valor Máximo Permitido), que indica que pode consumir o produto sem risco a saúde. Imagina se tivesse? Eu corro risco? Mesmo que tivesse eu não corro risco, seria dentro do permitido. Eu, minha mulher e minhas crianças tomamos água da torneira, não faz sentido não tomar água da torneira”, afirma.

Sobre o VMP (Valor Máximo Permitido) previsto na legislação, ele destaca que existe um plano de amostragem feito nas cidades e que levam em consideração a população e outra série de fatores.

“No Brasil nós temos algumas legislações que regem o nosso trabalho, para a qualidade da água potável tem a portaria de consolidação 5, anexo 20, que estabelece parâmetros de potabilidade. Nessa mesma legislação, existe o plano de amostragem que vai depender de diversos fatores. Essas amostragens são diária, mensal, quinzenal, trimestral e semestral. Então, existe esse escalonamento e saímos fazendo a análise como um todo na cidade, da água bruta e da água tratada”, pontua.

O gerente de tratamento destaca que na Capital existem dois sistemas de águas superficiais, sendo os rios Guariroba e Lageado, além de poços como fonte de fornecimento. Ele comenta que toda essa água passa por tratamento e, para cada etapa, desde a coleta da água bruta, existe um plano de amostragem.

“Ou seja, acompanhamos a qualidade dela. Isso faz parte de uma política pública federal, que é a política de controle de abastecimento de água, definido pelo Ministério da Saúde. O processo analítico que nós fazemos no final de cada mês gera um relatório que é entregue na Vigilância Sanitária, essas informações são enviadas para o Sisagua. Quando a gente olha os dados é preciso fazer uma análise do que está aqui e o que isso realmente significa na prática”.

(Crédito: Freepik)

Transparência dos dados

Bezerra finaliza falando sobre o processo de amostragem e a transparência dos dados e amostras feitas pela empresa com relação a qualidade da água fornecida para população.

“A maior parte das amostras a gente faz aqui em Campo Grande, nosso laboratóriole tem certificação da ISSO 7025, específica para laboratório, ou seja, todos os resultados que saem referentes aos processos credenciados tem repetibilidade, rastreabilidade e são dados auditáveis. Sendo possível saber quem fez, quando fez, hora que foi feito, qual reagente usou. Existe um esforço para que seja  cada vez mais restritivo o uso de agrotóxicos e também cada vez mais fácil de detectar”.

Entenda a polêmica

Conforme publicado no site UOL, 1 a cada 4 cidades do Brasil, entre 2014 e 2017, enfrenta o problema de contaminação da água. A Anvisa adianta que em pelo menos 11 delas, incluindo a Capital de Mato Grosso do Sul, o perigo pode ser associado a doenças crônicas, como o câncer.

Durante a pesquisa, empresas de abastecimento de 1.396 municípios detectaram todos os 27 pesticidas que são obrigados por lei a testar. Desses, 16 são classificados pela Anvisa como extremamente ou altamente tóxicos e 11 estão associados ao desenvolvimento de malformação fetal, disfunções hormonais e reprodutivas.

Além de Campo Grande, entre os locais com contaminação múltipla estão as capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Manaus, Curitiba, Porto Alegre, Cuiabá, Florianópolis e Palmas.

Os dados são do Ministério da Saúde e foram obtidos em investigação conjunta da Repórter Brasil, da Agência Pública e da organização suíça Public Eye. As informações são parte do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), que reúne os resultados de testes feitos pelas empresas de abastecimento.

Os números revelam que a contaminação da água está aumentando a passos largos e constantes. Em 2014, 75% dos testes detectaram agrotóxicos. Subiu para 84% em 2015 e foi para 88% em 2016, chegando a 92% em 2017.

A falta de monitoramento também é um problema. Dos 5.570 municípios brasileiros, 2.931 não realizaram testes nas suas redes de abastecimento entre 2014 e 2017.

Embora se trate de informação pública, os testes não são divulgados de forma compreensível para a população, deixando os brasileiros no escuro sobre os riscos que correm ao beber um copo d'água direto da torneira.

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