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quinta, 01 de outubro de 2020
Cidade Morena

Caçadores de bons exemplos saíram da bolha e decidiram ser a mudança que gostariam de ver no mundo

Casal que atuava como administradores e focava apenas em dinheiro e metas, agora vive com o básico e busca exemplos de cidadania Brasil afora

09 abril 2019 - 17h00Por Nathalia Pelzl

Todos os dias notícias ruins estão presentes nos noticiários. Cansados disso, Iara Xavier e Eduardo Xavier decidiram mudar o dia a dia, após questionamentos sobre o propósito de vida do ser humano na terra.

O casal é de Minas Gerais e se intitula “Caçadores de Bons Exemplos”. Eles atuavam como administradores. Focados em metas e dinheiro, viviam uma vida de luxo, morando em uma cobertura, no entanto, despertaram para o outro lado da moeda.

“Eu tinha três guarda-roupas de 8 portas, vivia a vida de luxo, muito boa. Um dia, almoçando em um restaurante, uma moradora de rua fez o seguinte pedido: ‘se sobrar vocês me dão’. Eu pensei: 'como assim se sobrar?'. Aí falei não e compramos o almoço para aquela pessoa”, conta Iara.

(Foto: Wesley Ortiz)

A partir de então, alguns questionamentos surgiram: qual o verdadeiro sentido da vida? Satisfazer os desejos materiais ou viver em uma comunidade? Ajudar o próximo? E será que existem só noticias ruins no mundo? Devemos focar só nas coisas ruins?

Com o coração inquieto e em busca de resposta, no dia 01/01/2011, eles decidiram pegar a estrada em buscas de bons exemplos, brasileiros que constroem um país melhor e fazem a diferença nos locais onde vivem. Buscam pessoas comuns que fazem a diferença, pessoas que estão em busca de soluções, e não dos problemas do mundo.

“Nosso objetivo é mudar o olhar das pessoas. Eu sempre, quando vou cumprimentar alguém, já ofereço logo um abraço como forma de gerar uma onda de amor, já que esse gesto é acolhedor e faz com que as pessoas deixem a frieza do dia a dia”, diz Iara.

“Nós tentamos ensinar as pessoas a pararem de olhar para o próprio umbigo e bolso, nós não éramos ligados em ajudar o próximo e sim nosso próprio bolso”, reforça a ex-adminstradora, que agora alega viver com o básico.

(Foto: Wesley Ortiz)

Eles descrevem que vivem uma economia solidária e colaborativa. Isso significa que, de tudo que eles recebem e arrecadam, 99% vai pra doação e 1% fica para necessidades básicas, utilizando apenas o que é necessário para sobreviver.  Eles definem o jeito de viver como uma economia de abundância, que tem como ideia que se você ajudar os outros, nunca irá te faltar.

Mudança de hábitos

Sobre as dificuldades, eles afirmam que os três primeiros anos foram os mais difíceis devido a mudança drástica na rotina.

"Nas estradas, as dificuldades materiais e psicológicas são grandes. A gente vê coisas que antes era só na TV. A gente está ali e lida com a criança que foi estuprada pelo pai. Lidar com isso, emocionalmente, é muito difícil. Mas, em contrapartida, quando a gente conhece alguém que começou um projeto baseado na nossa história ou está ajudando alguém, é gratificante”, lembram.

Questionados sobre a felicidade, casal fala que não acredita que antes ou agora eram mais felizes, sendo que não existe uma felicidade plena. “Como eu posso ser feliz se o outro está triste? Como eu posso ser feliz se tem crianças morrendo de fome? Se tem pessoas na rua com frio e ninguém olha? Então, isso é revoltante. Então não, nós não somos felizes, temos os momentos felizes que são os que a gente consegue ajudar outras pessoas. Enquanto não houver justiça, ninguém é feliz, a gente finge que é feliz”.

(Foto: Wesley Ortiz)

Eduardo lembra que já são 1713 projetos catalogados em todo o Brasil e, desde que começaram a experiência, já são 842.732,0 km percorridos. Ou seja, em comparação com a lua, eles já foram ao espaço e voltaram.

“Pessoas falaram que a gente vivia no mundo da lua, agora já rodamos a lua, fomos e voltamos com essa quilometragem”, comenta.

O lema do casal aventureiro é inspirado em Mahatma Gandhi, “Seja você a mudança que você quer ver no mundo”.