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Campo Grande inicia fase de coleta de ovos que serão utilizados na criação de “mosquitos do bem”

Servidores da Coordenadoria de Controle de Endemias Vetoriais e SESAU irão instalar 400 armadilhas

24 ABR 2019
PMCG
12h00min
Foto: PMCG

Nesta quarta-feira (24) teve início à fase de implantação das armadilhas utilizadas na coleta dos ovos do mosquito Aedes aegypti, que serão encaminhados ao laboratório da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Rio de Janeiro (RJ), onde receberão a bactéria Wolbachia, responsável por inibir a transmissão da  dengue, zika, chikunngunya e febre amarela. A previsão é de que a reintrodução dos chamados “mosquitos do bem” na natureza aconteça até dezembro deste ano.

Durante todo o dia os servidores da Coordenadoria de Controle de Endemias Vetoriais (CCEV) da Secretaria Municipal de Saúde (SESAU) irão instalar 400 armadilhas em diferentes pontos das sete regiões urbanas de Campo Grande.

Um dos locais escolhidos foi a residência da dona de casa, Odete Ligeirou, 63 anos,  no bairro Jardim Aero Itália.  Antes os agentes explicam ao morador a finalidade do projeto e os cuidados necessários para garantir a eficácia do método.

A dona de casa Odete é uma das moradoras que está participando do projeto

 “Eu acho muito importante buscar novas alternativas para evitar que o mosquito da dengue (aedes aegypti) continue fazendo mais vítimas. Eu mesmo já tive dengue três vezes e é muito ruim. Eu tomo todo os cuidados necessários, mas sozinho a gente não faz nada. É preciso que todos tenham a consciência”, disse.

O assessor-técnico da  CCEV, Lourival Araújo, explica que a coleta dos ovos devem seguir três etapas até que seja concluída, sendo a retirada e substituição da palheta feita em até cinco dias. A previsão é de que a primeira coleta aconteça já na sexta-feira. Cada palheta é capaz de reter centenas de ovos do mosquito aedes aegypti.

Após serem encaminhados  para o laboratório no Rio de Janeiro, onde receberão a bactéria,  os ovos  retornam em cápsulas para Campo Grande, onde serão colocados em recipientes artificiais para eclosão.

A utilização da tecnologia é uma das estratégias para conter os avanços nos casos das doenças transmitidas pelo aedes aegypti, porém não substituí o trabalho mecânico que deve continuar sendo feito.

Segundo o boletim da SVE , do dia 01 de janeiro até esta  terça-feira (23), foram notificados ao todo 24.054 casos de dengue no município de Campo Grande.   No mês de abril foram 5.296 notificações, enquanto que em março foram notificados 9.472 casos notificados.

Pesquisa

No Brasil os estudos começaram em 2012; dois anos depois, houve uma liberação de mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia em duas áreas piloto: Tubiacanga, na cidade do Rio de Janeiro, e em Niterói onde, em 2017, ocorreu a primeira liberação em larga escala.

A Capital foi escolhida pelo Ministério da Saúde como uma das três cidades brasileiras que irão realizar a etapa final do método Wolbachia para o combate ao mosquito Aedes aegypti, antes da sua incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS), num prazo de três anos. As outras são Belo Horizonte (BH) e Petrolina (PE), demandando investimentos de R$ 22 milhões.

Wolbachia

Wolbachia é uma bactéria presente na maioria dos insetos (cerca de 60%), como abelhas e borboletas, mas não é naturalmente encontrada no aedes aegypti. Quando implantada no mosquito, ela tem a capacidade de fazer com que o inseto não transmita dengue, Zika e chikungunya, mesmo que o vírus esteja em seu organismo. Mais recentemente, pesquisadores mostraram que ela inibe também a transmissão de febre amarela..

O objetivo de liberar mosquitos com Wolbachia na natureza é fazer com que eles se reproduzam e criem uma nova população de mosquitos que carregam a Wolbachia. Essa nova população, portanto, será inofensiva para os seres humanos. As picadas pelas fêmeas, é claro, continuam acontecendo normalmente, mas não há transmissão de vírus.

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