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Sequelas da covid-19 vão de falta de ar a fim do prazer com a comida, contam campo-grandenses

Uma das entrevistadas teve o novo coronavírus há sete meses e, até hoje, sofre com o que ficou da doença

24 fevereiro 2021 - 12h40Por Dany Nascimento

Desde março do ano passado, a Covid-19 vem fazendo vítimas fatais e deixando sequelas em várias pessoas, causando pânico no mundo. Em Mato Grosso do Sul, a doença já matou mais de 3 mil pessoas e supera 170 mil casos confirmados da doença, conforme boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde.

Com sequelas da doença há sete meses, a bartender Patricia Nunes de Macedo, 44 anos, destaca que até hoje não sente cheiro e nem gosto. 

“Eu tive Covid no final de junho de 2020, fiquei um mês afastada pelo médico, fui monitorada em casa. Fiquei isolada, sendo monitorada pelo pessoal da saúde. Hoje, eu ainda tenho sequelas. Minha falta de ar continua, não tão grave, mas ainda tenho com frequência. Meu paladar e olfato não voltaram 100%. Para minha profissão, isso prejudica muito porque eu preciso ter paladar e olfato para realizar as atividades do meu trabalho, preciso sentir o cheiro e o sabor dos drinks que faço, mas infelizmente ainda estou com sequelas”, diz Patricia.

Ela destaca que sabe definir se algo é doce ou salgado, mas o sabor do que está ingerindo não consegue sentir.

“O sabor do café eu nunca mais senti. Tem que ser algo muito forte, daí sinto ou muito doce, ou muito salgado, muito azedo, cheiro mesma coisa. Além disso, eu sinto dormência nas pernas, elas incham, parece retenção de líquido. O psicológico também não é mais o mesmo, não consigo me concentrar em nada, assistir filmes novos, séries, não consigo me concentrar em algo novo. A irritação aumentou 90%. Qualquer coisa me aborrece, ao mesmo tempo que fiquei fria para algumas coisas, fiquei sensível para outras. Sempre fiz tatuagens, nunca chorei nem nada, na última, eu senti muita dor e acabei chorando”, destaca a bartender. 

Patricia faz um alerta para quem ainda acredita que o novo coronavírus é apenas uma gripezinha. 

“Tem que se cuidar, eu digo que tive sorte, fiquei um mês bem doente, mas graças a Deus não fui hospitalizada. Como trabalho em restaurante, vejo pessoas chegando sem máscara, querendo mesa com mais de dez pessoas, parece que não acompanham quantas pessoas sofrem e estão morrendo. Conheço muitas pessoas que perderam familiares pela doença e mesmo assim, muita gente não se importa. Eu sei da importância de usar máscara, fiquei trabalhando sete dias achando que era rinite e não transmiti para ninguém, porque mesmo quando não era obrigatório uso da máscara, eu já usava”.

Assim como Patricia, Elizabete Espíndola, 26 anos, diz que achava que estava com sinusite e, no quinto dia de sintoma, perdeu olfato e paladar. 

“Quando perdi o olfato, estava cozinhando e vi que não sentia cheiro. Espirrei perfume no braço e não senti cheiro nenhum, só o forte do álcool, algo irritando nariz. O cheiro bom não senti. Depois fui comer, percebi que não sentia sabor. Sinto açúcar e o que é salgado, sinto sal, mas o sabor não dá”, relembra a jovem. 

Ela diz que até a comida que mais gostava, deixou de comer pela falta do sabor.

“Se eu como banana, sinto que ela é doce, mas não sinto sabor da fruta. Comida igual, sinto sal, mas não sinto sabor. Sushi que eu amava, também parei de sentir. Tem mais de três meses que tive, continuo não sentindo sabor, nem cheiro. Café, eu não sinto sabor e nem o cheiro. Agora comecei a sentir um cheiro ruim no café, gosto parece algo amargo, não é o sabor real do café. Estou assim com outras coisas, perfume sinto cheiro ruim”, conta a maquiadora.