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Cidade Morena

Em risco em Campo Grande, serviço da Uber já está garantido em várias capitais

Em MS, prefeitura e taxistas cobram regulamentação do serviço de carona paga e motoristas relatam ‘desânimo’

19 dezembro 2016 - 13h30Por Amanda Amaral

Depois de muita espera, o aplicativo de transporte Uber chegou à Campo Grande, mas em menos de dois meses de atividade na Capital, está em meio a polêmicas que devem se arrastar até o próximo ano. Com pressão de taxistas e da Prefeitura Municipal, por não ser um serviço regulamentado e custar metade do valor do táxi, motoristas que apostaram na renda através da carona paga reclamam.

Isso porque, com receio de serem notificados pela Agetran (Agência Municipal de Transportes), os motoristas têm evitado sair às ruas para trabalhar, o que acaba encarecendo a corrida devido ao sistema de preço dinâmico do serviço, que é ativado quando a demanda é maior que a oferta. A situação é relatada por um motorista de 27 anos, estudante, que prefere não se identificar.

“Quando a tarifa chega a 2.5 mais do que a normal, nenhum cliente quer pedir Uber. E isso está acontecendo muito, o que nos prejudica demais, ao invés de ser um incentivo, porque ganharíamos mais. Os taxistas estão desesperados, mas eles têm que entender que é essa a a realidade”, conta o estudante, que paga a faculdade com o dinheiro do novo trabalho e não é contra a regulamentação do transporte.

As limitações impostas são poucas na até então única cidade de Mato Grosso do Sul com a atividade, comparadas a outras capitais do país, onde a atividade sofre diretas tentativas de paralisação. Apesar da vontade da maioria dos usuários ser, naturalmente, de pagar mais barato pelo serviço de transporte, a opção sofre cerco cada vez mais fechado por parte do então prefeito, Alcides Bernal (PP) e do próximo, Marquinhos Trad (PSD).

Além de Campo Grande, o serviço está espalhado por diversas cidades em diferentes regiões do país, que são Goiânia, Ribeirão Preto, Vitória, Recife, Fortaleza, Florianópolis, Porto Alegre, Curitiba, Uberlândia, Cuiabá, Teresina, Uberaba, Caxias do Sul, São Paulo, Natal, Sorocaba, Montes Claros, Campinas, Campos dos Goytacazes, Santos, Maringá, Brasília, Maceió, Santa Marta, Londrina, Blumenau, Belo Horizonte, Juiz de Fora, João Pessoa, Salvador, Joinville, Rio de Janeiro e Aracaju.

No Rio de Janeiro, a Justiça ratificou recentemente decisão que proíbe a prefeitura de impedir a circulação dos motoristas do Uber na cidade. Poucas horas após o prefeito Eduardo Paes (PMDB) sancionar a lei que proíbe o transporte remunerado de passageiros em carros particulares por meio de aplicativos no Rio, o Tribunal de Justiça (TJ) reiterou que há uma liminar que impede a prefeitura de sancionar os motoristas.

Em Florianópolis, após a Câmara de Vereadores arquivar o projeto de lei que regulamentaria o serviço, a Justiça concedeu uma liminar para liberar o uso do aplicativo na capital catarinense. Foi determinado que o poder público se abstenha de multar, apreender veículos ou restringir de qualquer maneira o trabalho dos motoristas associados ao Uber na cidade.

Já em São Paulo, o prefeito eleito, João Doria (PSDB), promete apostar nesse meio de transporte para eliminar custos da administração municipal. “Como vão andar os secretários, os presidentes de empresa? De táxi e de Uber, como todas as pessoas podem fazer”, declarou à reportagem do jornal Estadão.

Além disso, a prefeitura terá uma plataforma, desenvolvida pelo Banco Mundial, para monitorar e fiscalizar a movimentação de carros vinculados aos quatro aplicativos de transporte regulamentados na cidade: Uber, Cabify, 99POP e Easy.

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