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Com o rosto tomado por câncer, idoso de 85 anos não consegue vaga em hospitais de Campo Grande

Neta relata que sequer alimentação adequada foi liberada para amenizar sofrimento do avô

14 MAI 2019
Amanda Amaral
17h00min
Foto: Arquivo pessoal

De hospital em hospital, familiares de Silvio Fernandes Menezes, 85 anos, tentam conseguir tratamento adequado para o câncer na bochecha do idoso, que se espalha rapidamente por seu rosto. Há meses, as respostas têm sido negativas, mesmo que o quadro seja de desnutrição e visivelmente grave.

A neta Kessya Fernandes Lopes relata que mesmo com a fragilidade do avô, os pedidos de internação foram negados no Hospital Rosa Pedrossian, que o encaminhou ao Hospital de Câncer Alfredo Abrão. Nesta unidade, o idoso também não conseguiu tratar o quadro de desnutrição, para assim poder passar por sessões de radioterapia.

“Ele apresenta fraqueza pelo fato de, durante o tratamento, ninguém solicitar sonda, mesmo sabendo que existe a ferida na boca, dificultando a alimentação. O médico que pediu a radioterapia mandou embora para casa ficar esperando, a base apenas de dipirona, e sem ao menos pedir para colocar uma sonda, mesmo sabendo que dentro da boca dele estava um buraco enorme e com muita dor ao mastigar, sangrando, etc”, conta.

A família buscou também ajuda na Defensoria Pública para solicitar o atendimento e alimentação via sonda nasoenteral, mas mesmo com laudo do nutricionista, o pedido foi negado pela rede pública de saúde. Até então, o cuidado é feito improvisadamente, com alimentação caseira de difícil ingestão para o idoso.

“Já gastamos horrores com medicação e remédio para curativo que a rede pública não tem. Hoje essas feridas estão se espalhando pelo rosto, a ferida aumentando, o câncer está comendo o rosto dele, chegando perto dos olhos. Solicitamos uma internação com um tratamento de urgência, para que ele tenha uma dignidade, mesmo sendo bastante idoso”, clama a neta.

A reportagem entrou em contato com o Hospital de Câncer Alfredo Abrão, Secretaria Estadual de Saúde e a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

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