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Aluga-se Campo Grande: crise afunda mercado imobiliário na Capital

Corretores enfrentam dificuldades para alugar e vender imóveis e apostam nas promoções

11 DEZ 2016
Dany Nascimento
07h00min
Foto: André de Abreu

A crise econômica que afeta o país vem 'tirando o sono' daqueles que trabalham com aluguel e venda de imóveis em Campo Grande. O risco de investir em um novo negócio vem aumentando o número de imóveis com anúncios, já que agora, o dono do local improvisa duas plaquinhas: na incerteza da venda, ele aluga o local!

Alguns arriscam até em entrar na onda de grandes promoções, como a "Black Friday" e ainda concedem um prazo maior para quem só terá condições de aproveitar a oferta dias depois. Alguns vendedores incorporaram a ideia e fizeram questão de divulgar a promoção na editoria de classificados de alguns jornais, na tentativa de adquirir uma renda a mais no mês.                     

José Luis Torres, 51 anos, possui um ponto comercial no bairro Nova Lima. Ele afirmou ao TopMídiaNews que tenta alugar o local há quatro meses, publicando em jornais e redes sociais, mas as pessoas que procuraram o empresário, até o momento, pedem desconto e alegam crise.

"As pessoas até ligam, vem ver, mas na hora de alugar, elas começam a destacar a crise, que realmente não está fácil para ninguém, mas eu não posso abaixar o valor e também sair no prejuízo. As coisas estão muito difíceis para todo mundo, ninguém tem dinheiro e cada vez fica pior a situação", diz José.

Torres afirma ainda que possui outros dois estabelecimentos que estão alugados com contrato de um ano, mas os inquilinos cogitam rescindir o contrato, já que as vendas vão de mal a pior. "Os inquilinos que tenho falam em fechar as portas, não estão dando conta, temos muitos impostos para pagar e o dinheiro não está circulando, as pessoas estão tentando gastar o mínimo possível, até porque tudo está muito caro. Vivemos na verdade um momento de pânico quando o assunto é a situação financeira do país".

Assim como José Luis, Antero Gomes da Costa, 34 anos, tenta alugar uma residência no bairro Taquarussu há mais de seis meses. Ele disse que pretende vender a casa, já que é a segunda vez que enfrenta dificuldades no setor. "Eu já estou preferindo vender ela do que alugar, dá muito trabalho, as pessoas querem desconto e não tem como baixar o preço porque se não quem aluga sai no prejuízo. É a segunda vez que tento alugar ela esse ano, aluguei para um pessoal que ficou cinco meses na casa e saiu, acho que vender será melhor", diz o dono da residência.

Setor de vendas

A corretora de compra e venda, Letícia Cheres, é uma exceção. Ela garante que, na área em que atua, a crise teve um impacto menor, pois não exige um número considerável de renda para que o cliente conquiste o sonho de comprar a casa própria. "Na minha área eu não senti muito impacto da crise, tivemos, mas foi leve. Trabalho com venda de casas de R$ 110 mil e não interfere muito. Cair até caiu, mas não tanto como percebemos em outras áreas como a do aluga-se".

Já o corretor Hudson Saldanha, que atua na área há 15 anos, afirmou que sentiu impacto maior nas vendas, já que identificou uma queda de 80% de janeiro até agora. "As pessoas encontram mais dificuldades pela linha do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) na hora de adquirir um imóvel, acabam deixando de comprar pelo aumento de juros, era de 4,5%, foi para 6% e isso dificulta na hora da compra. Fazendo uma análise, tivemos uma queda de 80% nas vendas de janeiro até agora".

Saldanha destaca que em relação aos aluguéis, sua corretora se deparou com uma queda de 20 a 25%. "As pessoas querem comprar, querem alugar, querem investir, mas acabam encontrando tantas dificuldades que desistem. Tivemos essa queda de 20 a 25% nas locações".

O TopMídiaNews entrou em contato com o Sindimóveis, questionando a quantidade de comércios que possuem para venda e para aluguéis na Capital e recebeu a informação de que não existe um levantamento de dados, considerando que muitos proprietários não utilizam imobiliárias para alugar imóveis.

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