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Em vídeo, Bernal culpa Estado por atraso e se compromete a pagar Hospital do Câncer

Funcionários ameaçam paralisar serviços fundamentais se ficarem sem salários até o Natal

23 DEZ 2016
Amanda Amaral
16h51min
Foto: Deivid Correia/Arquivo TopMídiaNews

Mais uma vez utilizando as redes sociais para anunciar medidas da administração pública, o prefeito Alcides Bernal (PP) dessa vez aparece em vídeo se comprometendo a liberar, imediatamente, recursos para pagar convênios com o Hospital do Câncer Alfredo Abrão e outros hospitais conveniados com a prefeitura de Campo Grande. Sem receber salários de novembro nem 13º, funcionários da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) organizavam ato de paralisação caso não fossem pagos até o Natal.

Nesta semana, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ/MS) atendeu pedido da Fundação Carmem Prudente, que administra o HC, e determinou bloqueio de R$ 1.851.797,04 dos cofres municipais, para garantir o pagamento que não foi feito. A entidade alega que havia déficit acumulado de aproximadamente R$ 2 milhões.

A justificativa de Bernal é que o encaminhamento dos recursos não foi possível até então devido o atraso do Governo do Estado em repassá-los ao município. “Já determinei à Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), já que a saúde é municipalizada, para que se efetue a transferência de recursos que chegaram nesse mês atrasados. Nós já determinamos que façam imediata liberação, destacando Hospital do Câncer, que recebia em torno de 14 milhões de reais de recursos públicos, e agora em 2016 recebe 27 milhões”, disse.

No vídeo, o prefeito inclusive mostra um documento que supostamente comprova os valores conveniados e disse que conversou ainda pela manhã desta sexta-feira (23) com presidente do hospital, Carlos Alberto Moraes Coimbra, pontuando que em todos os meses de sua administração fez o máximo para bem atender a saúde pública.

Na declaração, ele alfineta, novamente, o Estado. Bernal disse que tem cumprido obrigação que deveria ser do Governo Estadual, que envia caravanas de pacientes para serem atendidos na Capital e que investe ‘quase o dobro’ dos 15% do orçamento em saúde, o que é obrigatório por lei. Assista:

UTI em risco

Mas este não é o único problema do Hospital do Câncer. Paga com subsídios repassados pela prefeitura, a empresa Interlad, que atua na UTI do hospital na gestão de 20 leitos, reclama da falta de comprometimento do poder público com a parceria. A assessoria de comunicação da empresa, que tem sede Lins, no interior de São Paulo, pontua que a assistência aos pacientes tem sido prejudicada pelos impasses burocráticos e desacordo em relação aos valores.

Com isso, 64 funcionários, 47 diretos e 17 cedidos à empresa, estão com algum tipo de atraso. Conforme uma funcionária, que preferiu não se identificar, os trabalhadores estão indignados e com as contas atrasadas, até mesmo sem ter como comprar itens básicos pessoais, e, para pressionar o pagamento, cogitavam cruzar os braços.

A assessoria de comunicação do hospital, contudo, alega que a questão teria a ver com a falta de documentação contábil necessária, por parte da Interlad. A versão é contrariada pela empresa, que alega terem sido feitos ‘exaustivos encontros’ com a administração do hospital, que não resultaram em um entendimento.

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