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Depressão e suicídio infantil: veja opinião de especialistas e saiba identificar os sinais

Duas crianças cometeram suicídio neste mês, sendo uma em Mato Grosso do Sul

20 março 2019 - 11h10Por Nathalia Pelzl

Um dado alarmante sobre nossos pequenos: uma em cada 5 crianças possui algum tipo de problema quando se trata de saúde mental. Após o ataque em uma escola em Suzano, em São Paulo, e a morte de duas crianças por suicídio, sendo uma em Mato Grosso do Sul e outra em São Paulo, o sinal é de alerta para os pais.

Para a professora acadêmica e psicóloga Avany Cardoso Leal, a depressão na criança tem sintomas diferentes dos adultos e, por isso, é preciso cuidado redobrado para que não haja confusão no diagnóstico.

“A criança pode ficar mais agressiva, ter comportamento regressivo. Por estarem em formação, alguns sintomas fisiológicos podem aparecer como dores de cabeça, dor de barriga, além da agitação e irritabilidade. O humor raivoso pode ser confundido com birras e pirraças”, pontua.

Outro ponto é a questão do desempenho escolar das crianças e mudança de hábitos para adolescentes de 10 a 13 anos.

“Tem que ficar atento ao rendimento escolar, concentração. Para os adolescentes de 10 a 13 anos, prestar atenção aos sinais de isolamento, se o adolescente deixa de usar um perfume, ouvir uma música que antes gostava. Já atendi uma mãe que o filho tinha 14 anos quando cometeu suicídio, depois ela comentou alguns destes sinais. Então, é preciso estar atento aos nossos filhos”, comenta.

Segundo o médico psiquiatra, Luis Rojas Marcos, as crianças estão em um estado emocional devastador. Ele aponta as estatísticas dos últimos 15 anos, que mostram um crescente aumento do aparecimento de doenças e transtornos mentais na infância.

“Uma em cada 5 crianças tem problemas de saúde mental. Um aumento de 43% no TDAH (Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade) foi observado, de 37% na depressão adolescente e de 200% na taxa de suicídio, em crianças de 10 a 14 anos. O que está acontecendo e o que estamos fazendo de errado?”, questiona.

Segundo ele, o excesso de informação que as crianças estão sendo estimuladas, muitas vezes pode contribuir para a privação de algo básico, como a convivência com os pais, brincadeiras ao ar livre, tendo uma alimentação e um sono desregulado, entre outras armas tecnológicas.

A psicóloga concorda com Luis. Ela acredita que, se os adultos muitas vezes não conseguem lidar com a pressão e a rotina do dia a dia,  quem dirá as crianças. Além da tecnologia, as mudanças familiares mexem e influenciam o psicológico deles.

“O adolescente, ele consegue mascarar, só que temos além do ‘boom’ tecnológico, muito acesso à informação, mudanças na base familiar, os pais trabalham muito mais do que antes. Acho que tudo isso interfere e reflete o aumento da depressão, ansiedade e o suicídio”.

Avany reforça que a depressão existe em vários graus, leve, moderado e grave. Sendo que a tentativa de suicídio e até mesmo a finalização do ato pode ser em qualquer um dos estágios, sendo cometido de forma planejada ou impulsiva.

Ela reforça que os pais precisam ficar atentos aos sinais, claro que não são os culpados, no entanto é preciso prevenir.

Já o psiquiatra reforça que devemos voltar aos princípios básicos, oferecendo à criança um estilo de vida equilibrado, sendo preciso dizer não em alguns momentos.

“Defina limites e lembre-se de que você é o capitão do navio. Seus filhos se sentirão mais seguros sabendo que você está no controle do leme. Não tenha medo de dizer “não” aos seus filhos se o que eles querem não é o que eles precisam. Desfrute de um jantar familiar diário sem smartphones ou tecnologia para distraí-los. Conecte-se emocionalmente – sorria, abrace, beije, faça cócegas, leia, dance, pule, brinque ou rasteje com elas”, finaliza.

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