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domingo, 27 de setembro de 2020
Cidade Morena

Há quatro anos em fila de cirurgia, mulher não sai de casa e teme pela vida

Nilda sofre com graves hemorragias e dores, mas pena na saúde pública de Campo Grande

22 fevereiro 2019 - 11h10Por Amanda Amaral

Aos 52 anos, Nilda dos Santos Lopes passa seus dias em agonia sem saber quando e se vai ter a sua saúde de volta. Há quatro anos ela convive com as dores de um mioma que se expande, assim como aumentam suas crises de hemorragia, enquanto espera por uma vaga de cirurgia de retirada do útero pela saúde pública de Campo Grande.

Então diarista, precisou parar de trabalhar e fica todo o tempo em casa, onde tem por vezes os cuidados de sua filha. “Eu sangro o mês inteiro, já passei muita humilhação de ‘lavar o chão’ de sangue, joguei roupa no lixo, passei muito mal. É um caso cirúrgico e urgente, tenho medo de ficar mais grave ainda”, relata.

Nilda conta que procurou atendimento primeiro no hospital Santa Casa, onde chegou a ter sua cirurgia marcada. Contudo, um infortúnio do acaso a prejudicou, já que teve seu celular roubado em um assalto e não conseguiu ser informada sobre o agendamento.

“Quando consegui entrar em contato com o hospital, me informaram que meu pedido foi anulado e eu teria que entrar numa fila de espera, tudo de novo. Foi quando busquei ajuda no Hospital Regional”, conta.

Na outra unidade, a mulher diz que tenta realizar consultas, sem qualquer previsão de quando deve passar pelo procedimento cirúrgico, que custa cerca de R$ 7 mil. Os atendimentos no HR também seriam sempre desmarcadas, sem explicação.

“Eu não tenho esse dinheiro, senão eu pagaria, é claro que eu pagaria. Não aguento mais sofrer, ficar nessa incerteza. Queria entender o que acontece, por que são tantos anos de espera”, lamenta Nilda.

Resposta

A reportagem entrou em contato com os hospitais para saber como está a fila desse tipo de cirurgia, e como foi e é tratado o caso da paciente. A assessoria de imprensa da Santa Casa consultou o histórico de Nilda e identificou quatro tentativas de contato para reagendamento da cirurgia.

Como não foi possível a comunicação, seu pedido foi de fato anulado para dar andamento à fila, já que o procedimento é de alta demanda pela rede pública. A orientação padrão da unidade é que pacientes mantenham sempre seus dados atualizados nos cadastros da rede municipal de saúde. A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) fica na Rua Bahia, 280, Centro.

Já a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde, que responde pelo Hospital Regional, não retornou.

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