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Cidade Morena

'Libera geral' de Bolsonaro faz procura por registros de armas subir 300% em loja de Campo Grande

Loja, que é também estande de tiro, teve de contratar mais funcionários para atender a demanda

20 junho 2019 - 13h30Por Thiago de Souza

A procura por registro de armas de fogo subiu 300% em uma loja do ramo, na Vila Progresso, em Campo Grande. O aumento, segundo o proprietário, ocorre desde que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) editou decretos que flexibilizam a posse e o porte de armas. Para atender a demanda, foi preciso até contratar funcionário a mais.

O empresário Gilberto de Andrade, dono da Central Armas, que possui um estande de tiro no mesmo local, detalha que, na época do primeiro decreto, em 15 de janeiro deste ano, as vendas aumentaram em 150%. Neste caso, o texto presidencial afrouxou a legislação para a posse de armas.

A partir de 7 de maio, ocasião de um segundo decreto presidencial que facilitou o porte de armas para o cidadão comum, a procura por registro chegou a subir 300%, disse Andrade.

Gilberto celebra vendas, mas pede cautela a usuários de armas. (Foto: Wesley Ortiz)

Gilberto explicou que a Polícia Federal, responsável pela emissão das posses e portes de armas, já está liberando a documentação para quem fez o pedido dentro das novas regras. Ele pondera que, neste caso, ainda é preciso aguardar o Exército Brasileiro normatizar a mudança na legislação.  

Dentro da flexibilização do porte de armas, o mais recente decreto editado em 22 de maio, jornalistas que atuam no noticiário policial, advogados, oficiais de Justiça, caminhoneiros, membros do Judiciário e do Ministério Público que exerçam funções de segurança podem portar armas de fogo.  

Também ganham o direito profissionais residentes em áreas rurais, agentes de trânsito, conselheiros tutelares, vereadores, deputados estaduais, federais e senadores, entre outros.  

Pedidos de registro subiram 300%, diz instrutor. (Foto: Divulgação)

Mais números

Em fevereiro deste ano, o TopMídiaNews conversou com o instrutor de tiro Rogério Santana, 42 anos. Ele atua na mesma loja que vende as armas e contou que no final de 2018, a procura por testes chegavam a cerca de 20. A partir do primeiro decreto de Bolsonaro o número saltou para 80.

Polêmica

Sobre a questão, que gera muitas polêmicas, o empresário faz questão de destacar que é legítimo não gostar de armas, mas  ''é preciso respeitar quem quer''. Sobre um possível aumento no número de mortes, seja por confronto ou por acidentes, Gilberto rebate.

''Fazemos coisas erradas também com o carro'', explicou sugerindo que não se proíbe o uso de automóveis por conta de alguns motoristas dirigirem em alta velocidade e sob efeito de bebida alcoólica.  Apesar de celebrar as vendas, Gilberto alerta sobre o risco de alguém possuir uma arma de fogo.

''Quem não sabe manuseá-la corretamente, é melhor não ter, porque ela deixa de ser um benefício e vira um malefício'', refletiu Gilberto. O comerciante acrescenta ainda que o ideal é que o usuário de uma arma passe por um curso mais aprofundado de tiro.

''Lá ele vai aprender a não chegar em uma situação de ter que usar uma arma de fogo. A arma é o último, do último, do último recurso'', complementa.