Menu
segunda, 14 de junho de 2021
Dia das Mães

Lidiane criou forças nos filhos para seguir vencendo o câncer e aproveitar a vida

"Não é uma doença que vai frear de você viver a vida", Lidiane construiu um alicerce e passou a colocar sorriso no rosto para realizar um dos sonhos durante o tratamento

09 maio 2021 - 11h30Por Vinicius Costa

Com apenas 37 anos de vida, Lidiane Moraes Rufino contempla uma história e tanto ao construir um alicerce muito forte com base nos seus filhos e a família. Em 2019, ela descobriu um câncer agressivo e invasivo ao realizar uma pequena consulta por causa do nervo ciático.

A campo-grandense tem quatro filhos, um de 10 anos, outro de 15 anos, uma menina de 21 anos e outra de 23 anos e mais duas netas. Todo esse suporte é capaz de levar a mulher adiante, lutar pela vida e passar pelo tratamento para vencer o câncer.

Lidiane descobriu a doença naquele que seria seu auge da vida, com emprego novo, projetos indo de vento em polpa, mas a descoberta acabou sofrendo um impacto muito grande ao saber da notícia. "Eu fiquei sem chão. O primeiro impacto que a gente sente é que vai morrer".

A grande preocupação recaiu nos filhos por não entender como eles sobreviveriam com a notícia. Mas a fé foi um dos grandes trunfos da mulher que procurou forças para continuar e buscar o máximo de ajuda para não se deixar levar pelo câncer.

Os filhos passaram a ajudar de todas as formas, até as que não moram mais juntas na mesma casa. Ela acredita que os filhos foram capazes de ensinar uma nova vida e enxergar um novo propósito.

"Eu achei até que os meus filhos iriam meio que perder a fé, mas graças a Deus, eles me ensinaram e me impulsionaram a ter mais fé. Uma das pessoas que mais sofreu foi a minha mãe, ela sofreu muito, mas hoje ela aprendeu a lidar com a situação".

Tratamento

Em abril deste ano, completou dois anos que Lidiane continua com seu tratamento. Nesse tempo, ela passou por quimioterapia e após raspar a cabeça, ela relata que "meus filhos me faziam rir, que me ajudava, segurava minha mão, que nunca me deixaram desanimar".

A campo-grandense relata que tudo começou de um nervo ciático inflamado e passou para o câncer agressivo e invasivo. Por isso, em dezembro do ano passado, ela perdeu a mama direita e em setembro, também do ano passado, ela retirou os ovários.

"De primeira, eu desacreditei. Mas eu não me sinto, nunca me senti uma mulher por isso ou uma mulher mutilada. Eu consegui entender que minhas cicatrizes são provas de que eu estou viva. A enfermidade veio, mas eu consegui vencer mais uma guerra", diz. E completa.

"A doença é ruim? É. Mas a gente consegue vencer se a gente determinar a vencer", salienta.

Aproveitando a vida

"Era hora da gente começar a viver, de desfrutar um pouco da vida". Lidiane colocou como meta que diante daquele cenário, tudo deveria a ser aproveitado e por isso, decidiu colocar o pé na estrada para realizar o sonho de conhecer a praia e o mar.

"Nunca tinha saído para aproveitar com a minha família. E quando eu descobri a doença, tomei uma decisão. Aí em 2020, eu tinha um sonho que era conhecer a praia, conhecer o mar, eu nunca tinha conhecido e visto. Em março, nós fizemos a nossa primeira viagem para Itapema, em Santa Catarina".

Neste ano, em março, ela e a família conseguiu reunir 35 pessoas, todos familiares, para viajar rumo a Fortaleza. Ela conta que deu prioridade para os sonhos dos outros familiares também e mesmo com as adversidades - principalmente a pandemia, colocou um sorrido no rosto de quem o apoiou durante a trajetória na luta contra o câncer.

"Não é uma doença que vai frear você viver a vida. Você pode viver mesmo diante de todo o sofrimento, de toda uma enfermidade, você pode viver sim, desfrutar de coisas boas".

Lidiane com os familiares em viagem em Fortaleza, neste ano, no mês de março
(Foto: Arquivo Pessoal)