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domingo, 20 de setembro de 2020
Cidade Morena

Ainda chorando morte de Kauan, mãe perde guarda de filhos e tem medo deles serem adotados

Uma de bebê de oito meses ainda era amamentada quando a mãe perdeu a custódia dos pequenos

28 fevereiro 2019 - 07h00Por Anna Gomes

Janete dos Santos, 37 anos, mãe do menino Kauan de Andrade, 9 anos, dado como morto há quase dois anos, passa por um novo drama. Em 7 de dezembro do ano passado, ela perdeu a guarda de três filhos. Uma de bebê de oito meses ainda estava sendo amamentada.

Mãe de nove filhos, sendo sete ainda menores de idade, com a morte de Kauan ela ficou responsável por cuidar de seis crianças, mas perdeu a guarda de três.

“Fui chamada para ir à delegacia com meu marido e levei três filhos, minha menina de cinco anos, um menino de sete e minha caçula de oito meses. Lá mesmo já retiraram as crianças de mim e as levaram para um abrigo. Também queria levar meus outros dois pequenos, mas estavam na creche”, disse Janete.

Segundo os relatos de Janete, a polícia teria recebido uma denúncia de que as crianças sofriam maus-tratos e não se alimentavam de forma correta. A mãe nega e diz que mentiram para o pai dos menores.

“Quando ficamos sabendo que as crianças tinham sido levadas para um abrigo, meu marido quis saber o nome do local e falaram que, para ele saber, precisava assinar um documento. No calor do momento, ele acabou assinando que estava aceitando toda a situação. Falam que meus filhos passam fome, mas isso não é verdade. Depois a desculpa era que eu estava entrando em depressão por causa do Kauan. Realmente eu fiquei triste com a morte do meu filho, mas não fiquei abalada a ponto de não me importar com os outros”, desabafou a mãe.

O pai de cinco filhos de Janete, Ismaile Ferreira Vasques, 30 anos, disse que uma das reclamações seria que ele não trabalha. Ele nega e aproveita para denunciar o abrigo que os filhos estão.

“Falaram que as crianças não eram bem cuidadas em casa, mas lá elas ficam com medo. Quando vou visitar, sempre fica alguma pessoa do abrigo nos acompanhando e meus filhos ficam com receio de conversar. A única coisa que eles me pedem é para irem embora para casa. Faço bicos porque não consegui um  emprego, mas temos ajuda do governo, os pais da Janete são aposentados e nos ajudam. Não somos ricos e não vivemos com luxo, mas o arroz e feijão nunca faltou”, disse o pai, que nega estar usando drogas como teriam denunciado.

“Me falaram que as crianças vivem nas ruas e a bebê de oito meses ficava na rua, por acaso? Posso não ser perfeita, mas não maltrato meus filhos. Vejo tantas crianças sendo violentadas e continuam sofrendo, mas aqui não é assim. Tenho medo dos meus filhos irem para a adoção”, finalizou a mãe.

Caso Kauan

O menino Kauan desapareceu no dia 25 de junho de 2017 e foi visto pela última vez no Bairro Coophavilla II, onde o principal suspeito, o professor Deivid Almeida, morava. Conforme informações da polícia, o suspeito pagava para ter relações sexuais com crianças e adolescentes. Abusando da humildade das vítimas, ele estuprava menores extremamente pobres. Ele teria matado Kauan e se livrado do corpo, porém o menino nunca chegou a ser encontrado.

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