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Médicos desrespeitam lei de acesso a portadores de necessidades especiais

O que era para ser exemplo virou caso de discussão de quem necessita ir ao lugar e até de quem trabalha na instituição OSS

22 MAI 2019
Redação/Assessoria
17h30min
Foto: Assessoria

A vaga de estacionamento para deficientes físicos no prédio destinado a Central de Regulação do Estado, em Campo Grande, está sendo utilizada por médicos e diretores da Organização Social de Saúde (OSS) Instituto de Atenção Básica e Avançada de Saúde (IABAS), que gerencia o local. O que era para ser exemplo virou caso de discussão de quem necessita ir ao lugar e até de quem trabalha na instituição e, após denúncia, o vereador campo-grandense enfermeiro Fritz foi averiguar a situação, constatando a irregularidade.

“Além do espaço destinado ser utilizado indevidamente, colocaram uma cancela onde somente algumas pessoas possuem o controle para entrada ao local, dificultando mais ainda o acesso dos deficientes físicos ao prédio”, denuncia Fritz.

Durante a vistoria, a equipe que estava na Central verificou que a vaga, com entrada pela Avenida Afonso Pena, estava sendo utilizada para estacionamento do coordenador médico da Central Estadual de Regulação (CERA) e do Complexo Regulador Estadual (CORE). Além de uma tentativa de apagar o símbolo que identifica a vaga exclusiva, no momento da vistoria, um dos médicos entrou na área reservada e estacionou o veículo onde deveria ser privativo para os deficientes. A vaga fica a menos de 10 metros da porta de entrada do local, facilitando o acesso para aqueles que possuem dificuldades de locomoção.

O prédio possui ainda mais uma entrada que fica voltada para a Rua Bahia e que também possui um local específico para estacionamento de veículos de pessoas que possuem alguma dificuldade de locomoção. Entretanto, funcionários do local despejam os sacos de lixo em frente a essa vaga, dificultando a movimentação das pessoas.

De acordo com a denúncia, os sacos de lixo ficam expostos o dia todo no local, já que os profissionais que fazem a coleta só passam durante a madrugada. “Os médicos não estão preocupados com o bem comum e sim com seus próprios interesses. Cadê o Estado e o município que não cumprem a lei? O poder está acima das necessidades já que essas pessoas não tem responsabilidade”, disse a técnica de enfermagem que exerce a profissão no local, Jaqueline Tsalikis. Após um acidente enquanto pedalava pelas ruas de Campo Grande, ela precisou amputar uma das pernas e, atualmente, utiliza uma prótese para se locomover.

A profissional da área da saúde destaca ainda que já houve momentos em que pacientes que se utilizam de cadeira de rodas precisaram ser carregados no colo para poderem ultrapassar a cancela existente. O vereador da capital ressaltou que a porteira não permite o deslocamento das pessoas devido ao tamanho da barra, além disso, a calçada que circunda o prédio é muito alta, impossibilitando que cadeirantes, por exemplo, acessem o local.

“Isso está muito errado e ninguém fez nada até agora. Já tem mais de seis meses que a situação está assim e nada mudou. Vim conversar com os responsáveis e não fui recebido. Sabemos que ações simples poderiam facilitar a vida de toda a comunidade, mas ainda encontramos pessoas que pensam somente em si”, indignou-se Fritz.

Ainda de acordo com Jaqueline, o prédio está totalmente inadequado quando o assunto é o acesso aos deficientes. Além das entradas possuírem os problemas citados, o elevador não funciona e a única saída está recebendo uma porta, com a justificativa de aumentar a segurança no local. “Já enviei também um pedido ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), mas ainda não obtive respostas”, explicou.

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