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terça, 24 de novembro de 2020
Cidade Morena

Morte no Carrefour gera protestos em Campo Grande com gritos de 'vidas negras importam'

Eles colocaram cartazes com nomes de negros mortos em situação de racismo

20 novembro 2020 - 17h55Por Thiago de Souza e Willian Leite

Ativistas e populares negros protestaram, na tarde desta sexta-feira (20), em Campo Grande, contra a morte de um homem negro, ocorrida em Porto Alegre, na noite desta quinta-feira (19). Os manifestantes se reuniram no estacionamento do Carrefour e gritaram: ''vidas negras importam''. 

Manifestações como esta já estavam previstas em razão do Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro. No entanto, a morte de João Alberto Silveira Freitas, de 40, espancado por seguranças brancos na capital gaúcha intensificou os protestos. 

O ato em Campo Grande contou com o discurso de representantes de entidades negras e foi pacífico. Muitos dos presentes seguravam cartazes com dizeres contra o preconceito e papéis com nomes de negros mortos em situações de racismo.  

                                                                   

Coordenadora do Fórum Permanente das Entidades do Movimento Negro de Mato Grosso do Sul, Romilda Pizani disse que foi ao local mostrar toda a indignação da população negra em relação à morte ocorrida em Porto Alegre. 

''Isso [a morte de negros] é um ato que não pode se repetir no País. O racismo existe no Brasil sim e também em Campo Grande'', refletiu.  A fala dela foi em resposta a uma declaração do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, pela manhã, que garantiu que o ódio contra negros não existe no País. 

Pizani destacou que apenas 50 manifestantes estiveram no local e isso também reflete o predomínio do racismo. 

''Porém, a população negra é 54% da população do país. Muitas vezes os próprios negros deixam de lutar pela causa achando que não existe racismo'', declarou a ativista. 

Everson Pires, zelador, de 35 anos, disse que foi caracterizado para mostrar que o povo afrodescendente é um povo forte, inteligente e estudado e de cultura.  

''Porém, somos marginalizados pela cor da pele. Não há diferença entre nós e quem tem a pele clara.  Todos são capazes, todos temos objetivos'', refletiu o membro do grupo. 

O advogado José Roberto Camargo, 70 anos, também discursou e exigiu a presença de dirigentes do Carrefour para dar explicações, no entanto ninguém da rede esteve presente. Ele cobrou providências sobre o preconceito contra pessoas negras que são, segundo ele, perseguidas por seguranças dentro das lojas da rede aqui na Capital. 

O shopping Campo Grande disponibilizou seguranças, assim como o Carrefour. 
 

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