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Cidade Morena

Motorista 'tem de pagar com cadeia', dispara pai de advogada morta no trânsito

João Pedro da Silva de Miranda Jorge estava a 115 km/h na Afonso Pena

12 agosto 2019 - 15h20Por Thiago de Souza e Willian Leite

O acusado tem que 'pagar com cadeia'. Essa é a opinião de Lázaro Barbosa Machado, pai da advogada Carolina Albuquerque Machado, morta no trânsito em novembro de 2017. A fala foi durante a primeira audiência de instrução que julga o estudante João Pedro da Silva de Miranda Jorge, acusado da homicídio culposo.

A sessão ocorre nesta segunda-feira (12) na sala da 1º Vara Criminal, no Fórum de Campo Grande, somente 1 ano e nove meses após a tragédia na madrugada do dia de finados, no cruzamento da Afonso Pena com a Paulo Coelho Machado, em frente ao Shopping Campo Grande. Serão ouvidas 12 testemunhas.

O pai de Carolina, Lázaro Barbosa Machado, cobra justiça para o caso. 

"Espero que todas as pessoas que forem ouvidas falem a verdade e que a verdade prevaleça. Se a verdade prevalecer, a justiça será feita", refletiu o engenheiro. 

João Pedro teria bebido antes de bater a caminhonete. (Foto: Wesley Ortiz)

A audiência é conduzida pelo juiz Roberto Pereira Filho e terá 12 testemunhas em vez das 14 previstas. Conforme o processo, a advogada teria furado o sinal vermelho para fazer a conversão da Afonso Pena para a Paulo Coelho Machado, quando foi atingida pela caminhonete de João Pedro, que segundo a perícia estava a aproximadamente 115 Km/h. 

"Sobre ela ter passado no sinal vermelho, eu não vi se o sinal estava fechado ou aberto, foi muito rápido. Mas, se ela ultrapassou o sinal vermelho e for provado, muita coisa tem que ser analisada antes...", explicou Machado. 

Na fase policial, testemunhas disseram que João Pedro estava em visível estado de embriaguez. Mas também houve suspeitas de que a advogada teria consumido bebida antes do acidente. 

"Tenho certeza que ele estava bêbado, porque muitas pessoas viram e podem confirmar", acrescenta o pai de Carolina, que tinha 24 anos quando morreu. 

Antes de entrar na audiência, Lázaro Machado destacou ainda o histórico do acusado, que já se acidentou na avenida Euler de Azevedo e colocou o pai como motorista na ocasião.  

"Os próprios antecedentes dele vão contra ele...", finalizou o engenheiro. 

Acidente ou crime? 

O acidente aconteceu no cruzamento das avenidas Afonso Pena e Doutor Paulo Machado, à 00h15 do dia 2 de novembro. Carolina Albuquerque, de 24 anos, estava com o filho de 3 anos, quando o Fox que dirigia foi atingido pela Nissan Frontier guiada pelo estudante.

Segundo a perícia, o motorista, que estava acompanhado do irmão, fugiu do local após o acidente e estava a 115 km/h. Testemunhas disseram que ele apresentava sinais de embriaguez. Ainda conforme a investigação, a advogada furou o sinal no cruzamento das vias.

Carolina morreu enquanto recebia atendimento médico. O filho da advogada, que estava no carro, teve alta na Santa Casa de Campo Grande. Ele fraturou a clavícula e se recuperou.

João Pedro fugiu do local e se apresentou dias depois. Ele chegou a ser preso, mas pagou fiança e  foi solto. Ele responde o processo em liberdade.