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segunda, 21 de setembro de 2020
Cidade Morena

Nhá Nhá é bairro bom, mas 'Rua do Tráfico, número 171' incomoda moradores

Equipe do TopMídiaNews foi hostilizada por suspeitos de tráfico e dependentes químicos

05 março 2019 - 07h00Por Thiago de Souza

Quem vive na Vila Nhá Nhá, região sul de Campo Grande, sabe em quais pontos não se deve transitar sem tomar cuidado: a rua dos Pirineus, Travessa da Passagem e Ranulfo Corrêa. Ali, traficantes e viciados fazem um feirão da droga a céu aberto, sem o menor pudor.

No entanto, apesar de furtos e roubos, populares dizem que já houve momentos piores na região, mas a má fama ficou.

O TopMídiaNews percorreu as ruas do bairro, ouviu comerciantes e residentes. Todos dizem a mesma coisa: a droga é o problema.  

A primeira tarefa da equipe foi vencer a desconfiança de quem vai falar algo sobre violência, inclusive fazer críticas à polícia.

Uma mulher de 43 anos, acompanhada da mãe de 70, toca uma conveniência e loja de armarinhos. A rua onde ficam está a três quadras do 'centro nervoso' do consumo de drogas.

''Pelo menos inocente não morre'', começa a falar a mulher, que complementa: ''droga aqui é à rolê''. Sobre a atuação da polícia, principalmente a militar, ela diz que as viaturas ''vão ali, dão uma volta e saem''.

Sobre episódios de violência, ela cita que suspeitos, que acredita serem viciados, roubaram o filho de uma vizinha.

''Eles pegaram o menino, roubaram o tênis dele de R$ 500. Deu tempo do menino usar um dia só'', lamentou.

Distante 50 metros desse ponto, duas mulheres estavam sentadas em frente de uma casa, na rua Otacílio Machado. Uma delas, de 57 anos, diz que mora na Nhá Nhá há seis anos e conta que o ''guarda passa bastante'' na frente da residência e isso lhe traz certo conforto.

''Aqui é bem calmo, mas a partir da Rua do Aquário, tem os viciados, muitos'', explica a moradora. No entendimento dela, criminosos que furtam ou roubam naquela imediação são do próprio bairro.

''Ladrão daqui não deixa o outro chegar'', observou.

A mesma mulher conta que ''de vez em quando matam um aí''. E acrescenta: ''Tem de matar mesmo''.

Uma cabeleireira de 45 anos, abordada pela reportagem, descreveu o ponto onde mora como ''bom''.

''Moro há sete anos aqui. Não tenho do que reclamar'', disse a profissional. Mas assim como os demais vizinhos, ela sabe das ruas onde ficam os dependentes químicos e alerta sobre o risco.  

Sobre a violência, ela relata furto de máquinas da casa de uma vizinha, mas crê que os suspeitos não são dali.

Venda e consumo de droga são feitas sem menor receio. (Foto: Wesley Ortiz)

'Rua do tráfico, número 171'

Nas ruas onde se concentram os viciados, há muito lixo espalhado na via. As drogas mais consumidas ali são o crack e a pasta base de cocaína.

A maioria dos consumidores da droga perambula pelas vias de forma desorientada e agitada. Eles se concentram principalmente no cruzamento da Rua dos Pirineus com a travessa da Passagem.

Parte dos usuários tem a aparência de moradores de rua. Eles passam o tempo todo procurando porções de droga esquecidos ou caídos nos pontos de consumo.

No entanto, há os clientes com ''boa aparência'', que chegam e saem do local de carro ou de moto.

Ao avistar o carro da reportagem, os dependentes químicos se mostravam irritados e pediam para que saíssemos do local. Em nenhum momento a equipe presenciou uma viatura da Polícia Militar.

Resposta

A Polícia Militar informou que as atuações no bairro são planejadas conforme os registros de ocorrência e apreensões. Por isso, reforça a necessidade de vítimas de crimes registrarem ocorrência na Polícia Civil, ainda que o prejuízo material seja pequeno.

Na consulta ao sistema, segue a PM, a variação de registro de ocorrência de furto e roubo não são significativas, ''no entanto o policiamento tem sido intensificado, motivo pelo qual o registro de apreensão de drogas aumentou no bairro''.

Rua dos Pirineus concentra traficantes e viciados em crack. (Foto: Wesley Ortiz)

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