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'Ninguém procurou nossa família nem mesmo para um abraço', diz pai de Gabrielly

Carlos afirma que a esposa deixou a alegria de lado e passou a ser uma pessoa triste que chora todos os dias

14 JAN 2019
Dany Nascimento
07h00min
Foto: André de Abreu

Extremamente abalado após um mês da morte da filha Gabrielly Ximenes, de 10 anos, Carlos Roberto Costa de Souza, de 40 anos, afirma que a família viveu 30 dias de puro silêncio e tristeza. Ele afirma que está preocupado com o estado emocional da esposa Gregória Beatriz Ximenes, que agora só caminha de cabeça baixa.

“Ela era uma pessoa alegre, uma pessoa feliz. Com a partida da nossa filha, ela chora todos os dias, só anda de cabeça baixa. Ninguém procurou a nossa família, ninguém da escola, ninguém da família da menina que agrediu a Gabrielly dias antes da morte, está tudo na mesma. Minha esposa chora muito, sei que ela precisa desabafar, mas estamos muito preocupados”, diz o pai de Gabrielly.

Carlos afirma que as outras duas filhas continuam dividindo a cama com a mãe e o quarto onde a pequena Gabrielly dormia continua intacto. “As meninas dormem com minha esposa, eu continuo dormindo na sala. O quartinho está do jeitinho que ela deixou, não mexemos em nada e nem vamos mexer. Ninguém procurou a nossa família nem mesmo para dar um abraço por conta da dor que estamos sentindo com a falta da Gabrielly. Quem sente mesmo é quem perdeu e fomos nós que perdemos”. 

O caminhoneiro destaca ainda, que solicitou alteração no trabalho e parou de viajar. “Agora eu não viajo mais, não tenho como ficar viajando, tenho que ficar aqui. Minha esposa e minha filhas precisam de mim perto. Eles atenderam o meu pedido e agora eu fico aqui na cidade fazendo entrega”.

Sobre o laudo da morte da filha, Carlos afirma que pretende procurar a polícia. “Eles não falaram nada, eu acho que esse laudo tinha que ter saído já. Passou um mês que minha filha foi embora, precisamos de uma resposta sobre o que aconteceu. Eu estou trabalhando muito, mas vou até a delegacia ver se eles já têm uma resposta sobre o laudo”.

O caso

Gabrielly Xinemes teria sido espancada perto da escola onde estudava por uma criança de 10 anos e outras duas meninas de 14 anos no início do mês de dezembro de 2018 na Capital. A família teria acionado o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e a criança foi atendida na Santa Casa de Campo Grande. De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, Gabrielly passou por exames e nenhuma lesão foi constatada.

Em casa, a menina começou a reclamar de dores na virilha. Ela foi levada para uma Unidade de Saúde, em seguida par ao CEM. “Colocaram uma tala na perna dela, mas ela sentiu mais dores ainda. A dor era na virilha e não na perna. Chegou um momento, que minha filha começou a ficar muito febril e não andava mais, daí levamos ela novamente na Santa Casa”, conta o pai.

A menina deu entrada na Santa Casa, passou por exames, que constataram que a menina estava com artrite séptica (infecção no líquido e tecidos de uma articulação, geralmente causada por bactérias, mas ocasionalmente por vírus ou fungos). Ela passou por cirurgia, teve quatro paradas cardiorrespiratórias e não resistiu.   

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