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Onda de violência: assaltantes ameaçam crianças, idosos e apontam armas até para cachorros

Nas Moreninhas, moradores mudam rotina para reduzir os riscos de roubos

22 OUT 2016
Dany Nascimento
19h00min
Foto: Geovanni Gomes

Uma onda de assaltos tem assustado os moradores da região das Moreninhas, que agora preferem deixar aquela velha tradição de sentar na calçada das residências para tomar tereré e preferem deixar portões cadeados e ficar dentro de casa. Os assaltantes não perdoam nem pastor de igreja, pois conforme Deyse Pereira, 28 anos, que reside no bairro Cidade Morena, um homem em uma moto teria roubado o celular e o cesto de compras de um pastor e, em seguida, levou o celular da moradora, que estava sentada com a irmã.

"Ele veio, jogou a moto em cima da calçada e mandou a gente passar o celular. Ele tinha roubado o pastor da igreja, que estava com o sacolão do mês esperando para pegar ônibus. Depois que roubou o pastor, ele viu eu e minha irmã e mandou a gente passar os dois celulares. Eu pedi para ele não levar os aparelhos, mas não adiantou nada", conta a moradora.

Deyse afirma ainda que o assaltante ameaçou atirar na cabeça da cachorra, que também estava na calçada. "Na hora que eu pedi 'moço pelo amor de Deus', misericórdia', ele respondeu 'misericórdia né', e apontou a arma na cabeça da cachorrinha ameaçando atirar".

A irmã de Deyse, Patrícia Braga Pereira, 27 anos, disse que sempre tinha costume de chegar, colocar a mochila no chão e tomar tereré, porém, naquele dia, chegou e guardou a bolsa dentro de casa. "Eu sempre tenho costume de colocar a mochila no chão e tomar tereré, mas naquele dia, eu entrei e guardei, graças a Deus que fiz isso, porque estava com meu salário dentro da bolsa, ele com certeza ia levar".

O roubo aconteceu na Rua Minas Novas, na frente da Igreja Católica Nossa Senhora das Graças. A mãe de Deyse e Patricia, Maria Pereira diz que se sente aliviada pelo neto, de 5 anos de idade, estar dormindo no momento do roubo. "Ainda bem que o Guilherme estava dormindo, ele sempre fica ali na frente com a gente, mas naquele dia ele estava dormindo e dou graças a Deus, se não ele tinha colocado a arma na cabeça do meu neto".

Jennifer dos Santos, 21 anos, conta que viveu um momento de desespero na semana passada, já que caminhava pelo quintal para abrir o portão para a amiga, que começou a gritar ao ver que um homem armado se aproximava. "Minha amiga gritou e me mandou andar logo. Ela ficou pálida e estava desesperada, corri e quando cheguei perto do portão, um rapaz estava bem perto dela e mostrou a arma na cintura. Eu gritei 'o que é isso' e graças a Deus ele se assustou e foi embora".

Além disso, a jovem, que reside desde que nasceu nas Moreninhas, afirma que um casal de vizinhos que estava na frente da residência foi surpreendido por bandidos. "Um casal de amigos estava aqui ao lado, na frente da casa deles, quando chegou o motoqueiro e colocou a arma na barriga da menina, levou o celular dos dois também".

Rosangela Bentos, 38 anos, viveu quase cinco minutos de terror e, agora, prefere ficar do lado de dentro da residência, já que dois assaltantes a pé renderam a família, que estava sentada na calçada da casa. "Eles vieram da Rua Abélia, sacaram a arma e mandaram a gente entrar e ficar quietos. Eles falavam em amarrar a gente e deixar dentro de casa, pediam televisão, mas explicamos a eles que não tínhamos televisão e, ao entrar, ele viu que na sala não tinha mesmo. Eles pegaram o celular do meu marido e a mochila de um amigo que estava com a gente conversando".

Os bandidos não respeitaram nem mesmo o filho do casal, que foi empurrado diversas vezes. "Um deles ficou empurrando meu filho, que estava em choque e subiu no sofá. Eu pedi a ele que me deixasse ficar perto do meu filho, fiquei com medo dele chorar e deixar eles ainda mais nervosos".

Ezequiel Soares de Morais, 32 anos, conta que a insegurança toma conta da região, pois os ladrões estão agindo até na praça utilizada por senhoras para fazer caminhadas. "Ali na praça da divisa entre a Moreninha 2 e 3, as senhoras tentam caminhar, e eles pegam o que elas tiverem e ainda têm atitudes como se fossem deles e não das senhoras. São violentos e levam mesmo".   

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