(67) 99826-0686
Reviva centro

Pesquisadores encontram excrementos de pombo que causam doenças em escolas da Capital

Micose sistêmica é causada pela inalação de partículas fúngicas do excremento

10 FEV 2019
Redação/UFMS
10h19min
Foto: Reprodução/UFMS

Pesquisa realizada no Programa de Pós-Graduação em Doenças Infecciosas e Parasitárias da UFMS relatou, pela primeira vez na região Centro-Oeste do Brasil, a presença de Cryptococcus neoformans em excrementos de pombos, em escolas municipais de Campo Grande.

Com o título “Investigação de Cryptococcus no ambiente escolar em Campo Grande/MS”, a pesquisa foi feita pelo mestrando, biólogo e professor Dario Corrêa Junior, com orientação da professora Marilene Rodrigues Chang (Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Alimentos e Nutrição – Facfan).

Resultados parciais desta pesquisa foram recentemente apresentados no Congresso Latino Americano de Microbiologia, em Santiago, no Chile. Durante seu mestrado, o pesquisador realizou curso de diagnóstico molecular para infecções fúngicas na Fiocruz (RJ) e de identificação molecular de Cryptococcus no Instituto Adolfo Lutz (SP).

“Cryptococcus são os agentes etiológicos da Criptococose, uma micose sistêmica que afeta principalmente indivíduos imunocomprometidos. Esta doença é causada pela inalação de esporos de leveduras que estão dispersas no ambiente. Portanto, a vigilância da distribuição de Cryptococcus na área urbana é necessária para contribuir para a epidemiologia e ecologia do fungo”, explica o pesquisador.

Leveduras do complexo C. neoformans afetam principalmente indivíduos imunocomprometidos como aqueles com HIV/AIDS e é encontrado em áreas urbanas, especialmente em excrementos de pombos. Cryptococcus gattii causa infecção geralmente em indivíduos imunocompetentes e é isolado em madeira em decomposição, como em árvores ocas.

Pesquisa nas escolas

Após realizar na iniciação científica estudo de amostras clínicas do fungo, no Mestrado, Dario, como biólogo, se interessou em fazer pesquisa desses fungos no ambiente, onde os migro-organismos estão normalmente presentes. “Muitas pessoas alimentam os pombos. Nas escolas, as crianças deixam cair ou jogam migalhas para as aves sem saber que os excrementos delas podem ser perigosos, pois estes materiais contêm nutrientes para os Cryptoccocus”.

Sabe-se que em Campo Grande existe grande quantidade de pombos em diversos lugares. “Como pesquisador e professor, achei importante investigar a presença destes patógenos no ambiente escolar”, relata o pesquisador, que esteve nas 85 escolas da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande e constatou que em 60 havia pombos.

“Resumidamente, os excrementos coletados foram misturados com salina e antibiótico para inibir o crescimento de bactérias, assim  o fungo foi cultivado em meios de culturas no Laboratório de Pesquisas Microbiológicas da Facfan/UFMS. “

Apesar de o fungo ter sido isolado em apenas três escolas, o alerta é importante, tendo em vista que excrementos secos das aves. Podem ser dispersos pelo vento. “Além disso, os pombos voam para a redondeza e podem carrear esse fungo. O pombo não fica doente, é apenas um reservatório”, afirma o pesquisador.

Diagnóstico da Criptococose

O diagnóstico desta doença nem sempre é fácil, visto que sintomas (dor de cabeça e na nuca, rigidez, visão turva, expectoração entre outras) se confundem com outras enfermidades. Em casos de meningite e infecção de corrente sanguínea, não há como diferenciar por sinais e sintomas, se as infecções são causadas por bactérias ou por fungos.

A identificação do agente por meio de exames laboratoriais é essencial para o tratamento e boa evolução do enfermo. Pacientes com suspeita de criptococose são normalmente encaminhados para centros especializados e hospitais que realizam diagnóstico e tratamento de pacientes com Doenças Infecciosas e Parasitárias (DIP), como o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (HUMAP) – que atende cerca de 18 casos de criptococose por ano.

Veja também