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Com 'histórias de horror' na bagagem, campo-grandenses aprovam lei que proíbe alimentar pombos

A espécie passa a ser tratada como barata, mosca ou rato em Campo Grande

03 fevereiro 2019 - 09h30Por Dany Nascimento

Com receio de doenças, a população aprova a Lei complementar de número 345 e destaca que todos devem se conscientizar e deixar de alimentar pombos pela cidade, mesmo sentindo dó dos bichos que aparentam ser inofensivos. Os entrevistados pelo TopMídiaNews já presenciaram casos de pessoas doentes devido a convivência com pombos.

“Eu trabalhava em um local que tinha muitos pombos, pra base de uns 500 para ser mais exato. Tinha fezes para tudo quanto é lado e a maioria dos funcionários começou a ficar doente, com vômitos, dores abdominais, passaram muito mal. Como eu estava de férias, eu não fiquei doente, mas meus colegas todos ficaram”, conta o estoquista João Carlos Balmorisco, de 63 anos.

A lei proíbe que “qualquer indivíduo promova a alimentação de pombos urbanos, em especial nos espaços ou prédios públicos, e imóveis em geral, assim como manter abrigo para alojamento dessas aves”. Na prática, os pombos passam a ser tratados, a partir de agora, como baratas, moscas ou ratos.

Para o soldador Galdino Ribeiro da Silva, 67 anos, a lei traz benefícios para a população. “Esses dias no terminal de ônibus eu vi uma mulher alimentando um pombo, jogando pipoca para ele, falei para ela que é um bicho perigoso. Ela entendeu e disse que não ia mais dar comida para eles”.

Galdino relembra que também já viu amigos doentes devido ao contato com a ave. “Eu trabalhava em um galpão em Rondônia, que meus colegas ficaram doentes. Tinha muito pombo lá, realmente a população tem que ficar atenta, não dá para misturar pombo com ser humano. Temos que tomar cuidado, claro que dá dó do bicho, mas precisamos ter cuidado”.

Concordando com Galdino, Rosimeire Cardoso, 50 anos, que levou os filhos para brincar na praça Ary Coelho, diz que as crianças acabam tendo contato com as fezes do animal. “Tem bastante cocô de pombo aqui, ficamos cuidando para não deixar eles irem em brinquedos que tem sujeira assim. Tinha que fazer algo, levar eles para outro espaço, porque as pessoas ficam com dó de não alimentar”.

O autônomo Jeferson de Souza Cunha, 25 anos, que reside em Corumbá, ressalta que o assunto no município gerou polêmica, já que a praça central possui milhares de pombos. “Deu briga porque as pessoas acham bonito dar pipoca para pombos, coisa de filme. Quando o certo seria elas entenderem o perigo que o bicho gera para a população. Se não alimentar, eles vão para o meio da natureza procurar abrigo”. 

Doenças causadas pelo pombo

 A Criptococose, por exemplo, é transmitida pela inalação da poeira contendo fezes secas de pombos e canários. Isso compromete o pulmão e pode afetar  o sistema nervoso central, causando alergias, micose profunda e até meningite subaguda ou crônica. Os sintomas são: febre, tosse, dor no peito, cabeça, sonolência e rigidez na nuca e até confusão mental.

O pombo pode, ainda, causar salmonelose, doença causa pela ingestão de ovos ou carnes contaminados pela bactéria Salmonella, presente nas fezes de pombos. Gera, por exemplo, toxinfecção alimentar com sintomas como febre, diarreia e vômitos, além de dores abdominais.

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