(67) 99826-0686
ALMS 13/06 a 12/07

Prefeito vai discutir solução para demissões da Omep/Seleta com Ministério Público

A prefeitura suspendeu os contratos com as entidades, após ‘devassa’ realizada pela Operação Urutau

2 JAN 2017
Diana Christie e Airton Raes
11h24min
Foto: Geovanni Gomes

O procurador-geral de Justiça, Paulo César Passos, deve receber o prefeito Marquinhos Trad (PSD) já nesta segunda-feira (2) para discutir uma solução para a demissão de cerca de 4 mil funcionários das instituições Omep e Seleta. O fim do impasse é essencial para garantir o retorno do funcionamento dos Ceinfs (Centros de Educação Infantil) a partir de fevereiro.

Marquinhos informou, durante coletiva de imprensa, que o encontro tem como objetivo “resolver de uma vez por todas” o problema e retomar o funcionamento das unidades imediatamente. Hoje apenas os serviços essenciais como o acolhimento de pessoas de ruas, realizado pelo Cetremi (Centro de Triagem e Encaminhamento do Migrante), estão garantidos.

A prefeitura suspendeu os contratos, após ‘devassa’ realizada pela Operação Urutau, do Ministério Público, que identificou diversas irregularidades nos convênios como a contratação de funcionários fantasmas, discrepâncias de salários entre pessoas com o mesmo cargo e função, além de suspeita dos crimes de improbidade administrativa, falsidade ideológica, peculato, lavagem de capitais e associação criminosa.

Pagamento de 'fantasmas'

Algumas suspeitas já foram confirmadas em depoimento. A diretora de Recursos Humanos da Seleta, Ana Cláudia Pereira da Silva, revelou, inclusive, que tinha em mãos recibos frios para 'maquiar pagamentos de serviços prestados', atendendo lista com nomes fantasmas, que eram enviados pelas secretarias do município.

De acordo com a decisão do juiz David de Oliveira Gomes Filho, ao prestar depoimento, a diretora confirmou ainda que recebia de R$ 3 mil a R$ 5 mil como gratificação por colaborar com o pagamento de funcionários fantasmas da Seleta e percebia a evolução patrimonial dos colegas na entidade.

Foram apreendidos na casa da diretora, 76 recibos de pagamentos que eram usados no desvio de verba. "Diretores das entidades conveniadas teriam usado de recursos da entidade para atender de interesses próprios, suspeitando-se do desvio de R$ 26.500.608,00 entre 2011 e 2015, pois eram valores sacados em dinheiro, rotineiramente, das contas bancárias da Seleta", diz relatório da Justiça.

Nas contas verificadas pelo MPE, fica claro que os depósitos eram feitos pela Prefeitura Municipal diante dos convênios firmados, já que "nas datas dos pagamentos, os valores eram sacados e repassados em espécie para os Diretores da Seleta, bem como emitidos recibos frios, nos moldes dos apreendidos na residência da própria, para maquiar pagamentos por serviços nunca prestados".

Entre as outras irregularidades, o Ministério Público Estadual identificou a contratação da atual e da ex-esposa do filho da vereadora Magali Picarelli (PSDB), que deveriam cumprir expediente no gabinete da parlamentar, mas nunca foram vistas por outros funcionários intimados a prestar depoimento para a Justiça. 

Veja também