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terça, 20 de abril de 2021
COVID CONFLITO
Cidade Morena

Escola rejeita dar ensino integral para criança com síndrome de down em Campo Grande

Professora sempre lutou para a inclusão e, agora, passou por situação indelicada envolvendo o próprio filho

04 março 2021 - 11h00Por Vinicius Costa

Tayana Paniago, professora atuante nas redes de ensino estadual e municipal de Campo Grande, sempre lutou pela inclusão de crianças com deficiência nas escolas, mas acabou sendo vítima de preconceito neste mês de março, envolvendo seu filho Felipe, de 2 anos, que nasceu com síndrome de Down.

A educadora contou ao TopMídiaNews que procurou a escola, que é cristã e fica no bairro Parati, para colocar seu filho em tempo integral. Tayana explica que foi bem atendida, houve uma visita minuciosa e até valores foram passados.

Porém, o que tudo aparentava estar se encaminhando para um final feliz, se tornou um pesadelo. A mãe de Felipe acabou sendo vítima de preconceito pela não aceitação do filho com deficiência em tempo integral.

Tayana é professora e trabalha nos períodos matutino e vespertino, além do seu filho fazer terapia desde os dois meses de nascimento. Ela explicou a situação para a escola, mas veio a negativa. "A minha indignação foi o preconceito", disse.

Impactada com o episódio, ela relembra que foi difícil encontrar vagas para o filho nesta altura do ano, mas que precisaria por conta das aulas remotas, que voltaram neste mês nas escolas.

"Sempre lutei pela inclusão. E agora passando por uma situação dessa em uma escola cristã", afirmou indignada. "Sempre lutei e amei a inclusão. Fiz muitos projetos para a inclusão", conta sobre sua trajetória.

Tayana explica que, após o episódio, procurou novamente a escola para receber um documento por escrito informando a não aceitação da criança, mas ouviu que tudo não teria passado de um "mal-entendido" e palavras que a caracterizaram como mentirosa.

"Me chamaram de mentirosa e disseram que foi um mal-entendido", relatou. Ela procurou um grupo de mães que também possuem filhos com deficiência numa rede social e expôs a situação, e ficou surpresa com a quantidade de mães que haviam passado por situação semelhante. "As mães sofrem isso diuturnamente. Mas ninguém fala".

Dessa forma, não restou outra opção. Tayana Paniago entrará com uma ação judicial pelo preconceito e também pela acusação de calúnia.

"Se ela [diretora] se retratasse, a gente parava por aí. Agora não, ela me chamou de  mentirosa, falando que eu não soube interpretar".

E o pequeno Felipe? Pois, bem! Foi inscrito na Escola Nazaré, de religião católica, no bairro Jardim Leblon.

OUTRO LADO 

A escola emitiu nota esclarecendo os fatos. 

“Manifestamos nosso repúdio às declarações inverídicas feitas pela denunciante. Jamais houve a alegada recusa do Colégio João Batista, ainda mais pelo reprovável motivo informado levianamente pela genitora”. 

Ainda segundo a instituição, no dia 3 de março Tayana de fato procurou a escola, mas saiu satisfeita com atendimento. 

“Atendemos essa pessoa, apresentando toda nossa proposta. Ficamos com o telefone dela para contatá-la no dia seguinte, pois ela informaria quais seriam os dias de terapia da criança, que é especial”. 

“Condição diferenciada do aluno exige, como é natural, um acompanhamento específico para seu desenvolvimento; estando matriculada na escola, temos o dever de assegurar um professor para o atendimento educacional especializado a esse aluno durante os dias e períodos em que ele estiver no colégio, disponibilizando esse profissional exclusivo apenas no tempo que fosse necessário", pontuou a nota. 

O colégio destaca ainda que, não concorda e aceita qualquer tipo de preconceito ou discriminação. 

“Repudiamos o conteúdo e ameaças que vêm sendo expressos pela referida pessoa, pois tal conduta é ilegítima e não vem de encontro com os valores da empresa.

Informamos ainda que somos uma escola inclusiva, que sempre tivemos e ainda temos diversos alunos especiais, inclusive que demandam maior atenção e cautela do que a necessidade do filho da denunciante”. 

A unidade garante que todos os alunos são bem atendidos, tratados com carinho, respeito, igualdade de condições e sem qualquer tipo de discriminação. 

“Tal fato nos surpreendeu, pois o atendimento ocorreu como qualquer outro, de forma tranquila e amigável, até por isso ficou combinado de novo contato entre a escola e a mãe no outro dia. Nosso corpo jurídico está avaliando as medidas legais de responsabilização pela falsa acusação”.

A escola finaliza que todos que desejarem, sejam crianças com necessidades especiais ou não, serão bem-vindos. 

 

*Matéria editada às 14h54 para acréscimo do posicionamento da escola