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quinta, 24 de setembro de 2020
Cidade Morena

Recuperação de um gera circulo virtuoso e vidas são salvas no Alcoólicos Anônimos em Campo Grande

Coordenador diz que vício é democrático e atinge todas as classes sociais

14 fevereiro 2019 - 09h30Por Thiago de Souza

Mostrar ao outro que é possível resistir à dependência do álcool é uma das engrenagens que fazem o sucesso dos 16 grupos de Alcoólicos Anônimos que atuam em Campo Grande. Um dos coordenadores garante que o índice de recuperação supera os 80%.

A reflexão é feita pelo membro que coordena um dos 16 grupos na Capital e aqui será chamado de ''Alfredo''. Ele é comerciante e conta que quase chegou ao fundo do poço.

''Cheguei um farrapo humano. Derrotado. Se não tivesse vindo não sei se meu organismo aguentaria'', relatou.

A base do trabalho no A.A, diz o coordenador, é a terapia em grupo. Ali, os ''companheiros'', como são chamados, revelam seus dramas e aflições. Mas o mais importante vem em seguida.

''É mostrar a cada dia, a cada gesto, como se faz para se manter sóbrio. O exemplo de quem está aqui serve de cura para quem chega. Quem entra fala: se eles conseguiram, eu também consigo'', explicou Alfredo.

O coordenador conta que alguns alcoólatras colecionaram perdas, entre elas a família, dinheiro e a dignidade, que ficou no fundo de uma garrafa.

''Muitos viraram mendigos e eu ia chegar lá também'', acrescenta Alfredo. Ele explica que, neste método, é como se parte da cura estivesse no outro.

''Você fica emocionado ao ver a pessoa restaurada, com a família, com o emprego'', constata. Ele diz que passou quase uma década na bebida, principalmente cerveja.

''Quando vi já estava dirigindo bêbado. Sofri internação. Estava deixando todo mundo louco'', revelou.

Hoje, se pudesse voltar no tempo, Alfredo diz que se dedicaria muito mais às suas filhas.

''Nesses oito anos eu não tive atenção com as minhas filhas, as deixei muito vulneráveis.  Poderia estar brincando, cultivando, mas estava na farra. Hoje eu daria atenção maior à família e também ao lado financeiro, que estaria mais equilibrado'', reflete.

''Democrática''

Alfredo diz que a dependência da bebida é democrática e atinge gente de todas as classes sociais.
''A riqueza só muda o rótulo da bebida. Seja no corote ou no copo de uísque, a desgraça é a mesma''’, contou. Alfredo lembra-se muito bem do que achou que iria encontrar no A.A.

''Achei que só tivesse pessoas pobres, miseráveis, mas aqui encontrei doutor, repórter, psicólogo, policial, funcionário público'', explica.

Terapia

No Alcoólicos Anônimos, os grupos se reúnem diariamente ou pelo menos três vezes por semana. As reuniões duram cerca de duas horas e antes é feita a ''oração da Serenidade'', e em seguida a palavra fica livre.

Nesse trabalho, diz o coordenador, existem os 12 passos e 12 tradições sugeridos para que ''os companheiros possam direcionar suas vidas na sociedade''.

Nesse tipo de terapia, diz o coordenador, o índice de recaída de quem participa dela é de cerca de 20%. ''Mas muitos que saem voltam. Isso quando dá tempo'', observa o dirigente.

Família

As famílias sofrem junto com os dependentes, diz Alfredo, por isso foi criada outra irmandade, chamada de Al-Anon, onde os parentes fazem terapia semelhante ao A.A e compartilham experiências de como ajudar na recuperação dos dependentes.

Alfredo esclarece que o A.A sobrevive somente com doações de seus membros e não é aceita nenhuma doação governamental e empresarial. Destaca que o grupo não tem relação qualquer com religiões, seitas ou partidos políticos.

Serviço

São 16 grupos em Campo Grande.  Os maiores ficam no centro da cidade, sendo um na rua 14 de Julho (galeria Dona Neta) e outro na Barão do Rio Branco. O telefone para informações é o (67) 3383-1854.

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