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Campo Grande

Taxistas já se movimentam na Justiça, mas minimizam impacto com a chegada do Uber

Semanas após a chegada do serviço que concorre com táxis em Campo Grande, motoristas cobram direitos iguais

01 outubro 2016 - 18h05Por Amanda Amaral

Ainda novidade na Capital de Mato Grosso do Sul, o Uber não causou tanto ‘furor’ da concorrência, como muitos previam. A favor ou contra o serviço, o pedido geral dos trabalhadores para evitar atritos é a regulamentação da atividade, que o Sinditáxi (Sindicato dos Taxistas de Campo Grande) já se organiza para cobrar na Justiça.

Presidente do sindicato, Bernardo Quartin, preferiu não falar como e quando, mas disse que os direitos de igualdade serão requeridos o quanto antes.  “O município tem obrigações a cumprir, é preciso ativar um ordenamento para que as coisas sejam regulamentadas, afinal ninguém pode, por exemplo, andar com uma arma na cintura e de repente ser segurança particular. É preciso se adequar, assim como nós”, diz.

Ele minimiza a preocupação causada em quem há anos trabalha em cooperativas, ao avaliar o Uber como ‘empolgação’, e ainda nega a ‘debandada’ de motoristas para o serviço, que seduz o cliente por praticar preços que chegam a custar metade do táxi. “Já ouviu falar no pote de ouro? É exatamente isso, as pessoas estão com sede de lucro agora, mas pode ser uma ilusão. Fora que muitos não têm capacitação, profissionalismo. Vamos ver como vai ser”, avalia Quartin.

Ao contrário do que acredita o sindicato, o presidente da Assotáxi (Associação dos Taxistas Auxiliares de Campo Grande), José Carlos Áquila vê a chegada do serviço como uma chance dos motoristas adquirirem maior independência. “Estou achando ótimo, estamos migrando aos poucos para o Uber, mas ainda tem gente que está ‘presa’ às cooperativas, porque arrenda carro. Acho difícil barrarem, eles tem que aceitar que as coisas mudam e quem escolhe é a população”, diz.

Presidente da Assotáxi, José Carlos Áquila. Foto: Deivid Correia/Arquivo TopMídiaNews

Despreocupados

Para o mototaxista Elias Teixeira Quadros, 48 anos, nada mudou, o que acredita ter relação com o público que atende. “Geralmente são trabalhadores, o pessoal mais humilde que mora nos bairros mais afastados. Quem anda de táxi e Uber está disposto a gastar um pouco mais, além de ser gente mais nova, que usa smartphone”, diz.

Foto: Arquivo TopMídiaNews

Ganhando em média R$ 3 mil ao mês, ele diz que a única coisa que afetou os mototaxistas foi a crise econômica e o aumento do desemprego. Contudo, Elias tem uma opinião parecida com a dos taxistas sobre o novo serviço de transporte. “Campo Grande é pequena, eu mesmo conheço duas pessoas que em dois dias de serviço desistiram”, conta.

Diferente do que aconteceu em cidades como São Paulo e Curitiba, onde os foram registrados episódios de agressividade por parte dos taxistas, na tentativa de impedir o serviço, em Campo Grande a reação tem sido, até então, pacífica, segundo o taxista Lucio Pereira de Arruda, 50 anos.

“Ficamos com receio no começo, claro, pela covardia do preço que eles cobram. Mas ainda não alterou o meu movimento, os mais velhos ainda preferem o táxi. Na minha opinião, quando eles [motoristas do Uber] começarem a ter despesa com o próprio carro, vão cair fora”, finaliza. 

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