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Campo Grande

Igualar invasão de propriedades a terrorismo seria 'drástico' demais, dizem campo-grandenses

Para alguns, tal medida mostra despreparo dos governantes para a negociação

03 fevereiro 2019 - 18h10Por Nathalia Pelzl

Questão polêmica no Brasil, a invasão de propriedades rurais e privadas pode se tornar terrorismo. Existe um projeto de lei que tramita no Senado há alguns anos. O presidente Jair Bolsonaro deu uma declaração durante palestra, em maio de 2018, de que o assunto seria umas das pautas do governo, sendo cogitada a ideia de tipificar esse crime como terrorismo.

Dois projetos já foram protocolados a favor da criminalização e classificando como terrorismo atitude de protesto e invasão de grupos sociais em propriedades rurais e privadas, sendo considerada uma pena de até 30 anos de prisão e o uso imediato da força policial.

No entanto, para que isso aconteça, seria preciso alteração em uma lei de 2016 que diz que manifestações políticas e protestos de movimentos sociais não podem ser enquadrados como terrorismo.

Nas ruas de Campo Grande, os pensamentos são os mais diversos, tem pessoas que defendem que “sim, com certeza’” deveria ser terrorismo, e que acredita que se “não é seu não tem porque invadir”. Mas também tem o pessoal que “invadir propriedade é um ato contra a lei, agora colocar como "terrorismo" é algo meio drástico”.

“O que me preocupa mais é o que se entende por invasão. Muitas propriedades são ocupadas por famílias que não possuem casa, mas essa ocupação geralmente é feita em locais abandonados e espaços do governo. É preciso entender que uma ocupação desse caso precisa do acompanhamento e assistência social, não uma criminalização que muda o status de sem teto para criminoso”, reforça uma moradora de Campo Grande.

Lembrando-se da questão política, Ariel Dorneles lembra que as manifestações de grupos políticos e sociais são geralmente em busca de melhorias, e, portanto, devem ser consideradas legitimas.

“As ocupações feitas por estudantes, professores, profissionais de diversas áreas como ato de retaliação ou greve são legítimas. Essa criminalização como "terrorismo" parece um movimento de impedir manifestações do público. Eu, particularmente, não li muito sobre. Mas não me parece que classificar como "terrorismo" resolva as coisas, muito pelo contrário, só demonstra um despreparo dos governantes de negociar e dialogar com a população”, fala.

A estudante Karoline de Campos reforça que tal atitude ser considerada terrorismo é algo radical. “Não acho que invasão seja terrorismo, e sim apenas um ato criminoso. O governo deveria apenas fazer a retirada do pessoal do local".

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