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segunda, 19 de abril de 2021
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Cidade Morena

Vídeo: mãe abre o coração e perdoa motorista que atropelou Emanuelle

Médica divide um pouquinho do que experimentou ao acompanhar últimos momentos da filha e deixa lição de espiritualidade

08 abril 2021 - 14h37Por Diana Christie

A médica cirurgiã Andrea Aleixo publicou, nas redes sociais, vídeo em que abre o coração e detalha um pouquinho das últimas horas da filha, Emanuelle Gorski Aleixo, 21 anos, morta em um acidente de trânsito, na noite de 10 de março, em Campo Grande. A experiência foi compartilhada como desabafo e também exemplo de força para outras famílias que passam por situações semelhantes.

Emanuelle foi atropelada por uma caminhonete S-10, quando atravessava um cruzamento da Avenida Desembargador José Nunes da Cunha, no Parque dos Poderes. Ela estava com uma amiga e a cerca de cinco metros da faixa de pedestres. O engenheiro Mario Maurício Vasquez Beltrão, 63 anos, seguia pela avenida Mato Grosso, passou pela rotatória e acessou a avenida onde Gorski passava de bicicleta. 

A jovem bateu a cabeça no chão, o que causou um traumatismo cranioencefálico. Ela foi socorrida até a Santa Casa, hospital onde Andrea fez residência médica. Ela conta que foi informada do acidente e, ao lado do pai que também é médico, foi para o hospital, chegando antes mesmo da própria filha. Emanuelle chegou em seguida, na ala vermelha, já entubada e nos últimos suspiros.

“Eu acompanhei de longe. Era uma situação que eu estava muito acostumada, inclusive gostava de fazer emergência e nunca me vi na situação de parente de pessoa que estava sendo atendida e entendi aquilo li como uma situação que precisava ser consertada. Nessas horas eu sou bastante fria no sentido de que tem que ser feito o que tem que ser feito. Olhei sinais vitais. De longe acompanhamos todos os procedimentos...”, conta a mãe.

“Para deixar o pessoal mais à vontade, saí de perto e fiquei em oração como qualquer mãe faria. Wu sabia que ela tinha parado e estavam fazendo reanimação nela, como eu estava acostumada a fazer nos outros. Eu pensava, filha, você se deslumbrou com essa luz, né? Eu sabia, pelos relatos de várias pessoas que já tinham quase ido e voltado, que elas viam uma luz muito linda, reconfortante. Mas eu dizia, filha, volta para a mamãe, a gente ainda tem muita coisa para ver, para viver junto ainda. E para Deus, eu rezava o Pai Nosso”, continua.

Com lágrimas no rosto, Andrea conta que a filha “cumpriu o que tinha que cumprir” e desencarnou. “Ela nunca foi minha, ela foi emprestada pra mim. No caso foram 21 anos, dois meses e uma semana, mas ela foi livre”. Com a certeza de que fez sempre o melhor para a filha, ela chega a dizer que até pensou que podia trabalhar menos para estar mais em casa, mas destaca que está tudo bem porque isso faz parte do prover, para o bem estar da família.

E, mesmo em luto, a mãe faz uma declaração importante e de grande coragem. “Eu perdoo a pessoa que foi o instrumento do desencarno da minha filha. Não cabe a mim julgá-lo. Não tenho dor no meu coração em relação a isso”. Andreia enfatiza que, dentre as mortes possíveis, a filha partiu sem sentir dor, sem padecer ou sofrer por muito tempo e, por isso, ela é grata.

Assista a seguir o relato completo: