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sexta, 18 de setembro de 2020
Cidade Morena

Vítima do trânsito há 11 anos, Rayssa lamenta morte de Bárbara: 'sonhos cancelados na flor da idade'

Ela destaca que, quem bebe e dirige, assume o risco de matar

06 agosto 2020 - 13h00Por Thiago de Souza

Rayssa de Oliveira Favaro, 30 anos, ainda carrega sequelas de um acidente de trânsito, em abril de 2009, em Campo Grande. Mesmo assim, encontra forças para lamentar a morte de Bárbara Wsttany, em acidente causado pelo namorado, e dizer que, quem bebe e dirige, assume o risco de matar. 

‘’É muito triste ela perder a vida na flor da idade. É triste para a família e pra ela também. Foram sonhos cancelados, isso não deveria acontecer’’, disse Rayssa sobre a morte de Bárbara, ocorrida no dia 11 de julho deste ano, no bairro Cabreúva. 

'Crime'

Rayssa era uma jovem estudante de Direito no ano em que o Fiat Uno que dirigia, pela Rua Bahia, foi atingido por um Honda Civic, que 'voava' a 104 Km/h, de madrugada, na Mato Grosso. O condutor, que tinha acabado de sair de uma festa, não tinha CNH e fugiu do local de forma covarde. 

Após o acidente, foram dois meses de coma. De volta à consciência, Favaro teve de reaprender a comer e a falar. Hoje, Rayssa ainda tem dificuldades na fala e anda com ajuda de um andador. 

A vida de Rayssa, que sonhava em ser juíza, tem sido marcada por centenas de sessões de fisioterapia. Ela luta com todas as forças para recuperar o equilíbrio do corpo e poder voltar a andar sozinha. 

Rayssa luta para voltar a andar sozinha. (Foto: Repórter Top)

Trânsito

Sobre o acidente que mudou totalmente a vida dela e também tirou a vida de Bárbara, Rayssa faz uma série de reflexões que poderiam ser ouvidas por quem faz e fiscaliza as leis de trânsito. 

Rayssa concorda com a prisão por homicídio doloso de Ricardo França Júnior, o namorado de Bárbara. Geralmente, acidentes com vítimas fatais são tratados como homicídio culposo, o que quase não acarreta pena ao condutor. 

‘’Quando você bebe e dirige, você está assumindo o risco de matar’’, respondeu Favaro. Ela entende que as leis melhoraram muito, mas os culpados conseguem escapar. 

‘’Quem está sofrendo a punição dá um ‘jeitinho brasileiro’ de pular fora... de fazer com que a lei não seja cumprida’’, destacou. 

Sobre álcool e direção, Rayssa acha que as campanhas de conscientização precisam ser mais intensas. 

‘’... tem de ser mais chocantes e falar mais sobre o assunto... para tocar mesmo, porque as pessoas só vão saber se acontecer com alguém da família delas’’, sugeriu Rayssa. 

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