Dias após o grave acidente com um ônibus de viagem na BR-163, em Sonora (MS), que resultou em mortes e deixou dezenas de feridos, um passageiro relembrou os momentos de terror vividos durante a viagem. O ônibus havia saído de Cuiabá (MT) com destino a Cascavel (PR).
Segundo o passageiro, que pediu para não ser identificado, os problemas começaram ainda na rodoviária. A viagem estava prevista para as 19h, mas o embarque teve atraso e falta de informações aos passageiros.
“Compramos a passagem com 15 dias de antecedência, chegamos uma hora antes para o check-in e ficamos retidos por mais de uma hora sem qualquer explicação. O ônibus só apareceu às 22h30, quase quatro horas depois do horário previsto”, relatou.
Ainda conforme o sobrevivente, os motoristas já demonstravam sinais claros de exaustão antes mesmo da saída. “Eles estavam abatidos, com aparência de cansaço extremo. Cheguei a questionar se estavam em condições de dirigir e disseram que sim, mas logo percebemos que não estavam”, afirmou.
O acidente ocorreu próximo de Sonora, a cerca de 360 quilômetros de Campo Grande. De acordo com o relato, o motorista teria adormecido ao volante, fazendo com que o ônibus saísse da pista, tombasse e despencasse em uma ribanceira.
“As pessoas foram jogadas de um lado para o outro. No primeiro andar, fomos arremessados contra as poltronas. Um casal que morreu foi encontrado debaixo do ônibus, como se fossem bolas de ping-pong dentro do veículo”, detalhou.
Após o tombamento, o ônibus ficou com as rodas para cima, preso em um lamaçal e encostado em um poste de alta tensão, o que, segundo os passageiros, representava risco iminente de eletrocussão.
“Era uma cena de guerra. Um verdadeiro filme de terror. Nenhum funcionário da empresa ajudou a retirar os passageiros. Quem nos socorreu foram caminhoneiros e as próprias vítimas. Tivemos que arrancar poltronas e forçar portas para conseguir sair”, contou.
Os feridos foram socorridos e encaminhados ao hospital de Sonora. Segundo o passageiro, a empresa responsável pelo transporte rodoviário só apareceu horas depois do acidente e não ofereceu suporte adequado às vítimas.
Entre os feridos, havia passageiros com fraturas, luxações e hematomas. Uma gestante de cinco meses sofreu início de descolamento de placenta e acabou perdendo os gêmeos.
“Muitas pessoas ficaram em choque. Foi algo que vai marcar a vida de todo mundo que estava ali. Eu nunca mais quero passar por isso”, disse.
O passageiro também denunciou possível negligência da empresa, citando motoristas exaustos, falhas no cumprimento de normas de segurança e ausência de assistência básica após o acidente.
“Não houve alimentação, hospedagem ou orientação. Cada passageiro teve que arcar com hotel e transporte por conta própria. Isso é irresponsabilidade”, completou.
Familiares das vítimas e passageiros sobreviventes já se organizam para acionar judicialmente a empresa.







