Os vereadores da oposição jogaram a toalha em relação a negociação salarial entre os professores e a prefeitura de Campo Grande. Os seis parlamentares que compõem a base também afirmam que tentaram todos os mecanismos que possuíam e que por esta razão todas acabaram esgotadas.
Para a categoria, resta agora apenas esperar a Justiça analisar o caso, considerando que a tentativa da instalação de uma Comissão Processante na Casa de Leis já está naufragada na Câmara, que tinha a missão investigar possíveis irregularidades cometidas pelo atual prefeito.
"Nós não temos mais o que fazer. Tentamos abrir a Comissão Processante e até agora não conseguimos. Já enviamos o caso para o Ministério Público Estadual que deve analisar o caso. Ou seja, nós da oposição fizemos o que estava ao nosso alcance. Nós respeitamos e entendemos que os professores devem lutar, mas o que falta agora é apoio da situação", disparou a vereadora Thais Helena.
No entanto, o presidente da ACP (Sindicato Campo-grandense dos Profissionais de Educação de Campo Grande), Geraldo Gonçalves informou que todos os vereadores são avalistas porque aprovaram a lei que regulariza o piso nacional no município. "Nós não aceitamos isso. Todos são responsáveis. Nós entendemos que os vereadores da oposição fizeram a sua parte, mas ainda assim, falta a vontade em resolver a questão".
Em conversa com o vereador Chiquinho Telles, do PSD, professor Geraldo falou que se os demais vereadores quisessem, a Câmara poderia pedir a prefeitura que dividi-se o que é solicitado em sete vezes em 2015 e mais três em 2016. "O fato é que falta vontade, isso poderia ser resolvido em meio dia de conversa e nós resolveríamos esse problema". Telles logo rebateu que as questões não ocorrem desta maneira. "Não adianta a gente resolver um problema e criar outros. Se nós fizermos isso, logo vem os médicos, enfermeiros e isso viraria uma grande confusão. Nós temos que dar prioridades para a Saúde e a Educação", disse o parlamentar.
O presidente da ACP ainda questionou o motivo dos vereadores terem aprovado ontem, a suplementação de R$ 70 milhões para a prefeitura. "Nós não entendemos o que está acontecendo, os senhores aprovam R$ 70 milhões e enquanto a gente fica sem resposta. Ou seja, dinheiro tem"!, disse Geraldo a Telles. E ainda perguntou ao vereador se ele tinha votado pela aprovação de suplementação. "Sim, votei! Mas para o bem de Campo Grande", emendou o parlamentar. "Então, o senhor já escolheu e já deu a sua resposta vereador", disse o professor Geraldo ao vereador.
Chiquinho ainda mencionou porque os professores não tomam uma posição formalizam uma representação oficial na Câmara. "Você tem que fazer igual como foi feita no caso do Bernal", aconselhou o parlamentar. Em rápida resposta o professor afirmou. "A nossa briga não é política. Nós apenas queremos que se cumpra a lei", garantiu.
Novos protestos
Há 39 dias os professores estão em greve esperando que saia uma decisão. "Nós já viemos aqui na Câmara nove vezes, três comissões de vereadores foram montadas, 12 audiências com a prefeitura foram realizadas e até agora nada. Nada foi resolvido", explicou o presidente. Geraldo reclamou ainda a falta de ação do presidente da Câmara Municipal, Mario Cesar, do PMDB, que se comprometeu em negociar. "Até não obtivemos nenhuma resposta dele. Tudo está na mesma. A única que temos é que estamos esperando uma posição do MPE, do promotor Paulo Passos que se prontificou em nos ajudar".
Assim como fizeram no Paço Municipal, os professores ficarão acampados até a noite de hoje na Câmara Municipal como forma de pressionar os vereadores para resolver a questão. Enquanto isso, 100 mil alunos estão sem aula na Capital.

Professores acampados na Câmara Municipal. Foto: Geovanni Gomes
Denúncia - O presidente também usou a tribuna para falar que uma diretora que seria parente do atual prefeito teria chamado a polícia para uma comissão da ACP formada por professores que visitam as escolas. "Os professores falaram que a diretora de nome Eliete Antunes Bispo, que acredito possa ter alguns processo contra ela, não gostou da presença da comissão e chamou a polícia. Ninguém chegou a ser preso porque quando os policiais chegaram, eles já tinha saído de lá. Ou seja, isso é um absurdo e a gente não merece passar por isso", finalizou o presidente que estava indignado com a situação.







