A investigação 'Carne Fraca' da Polícia Federal, que foi deflagrada na semana passada e apontou que várias empresas do setor alimentício fabricavam e vendiam os produtos fora do prazo de validade e, em alguns casos misturadas com papelão, deixou os campo-grandenses com medo de adquirir e consumir carne.
A diarista Nilza Souza Guimarães, 55 anos, disse ao TopMídiaNews que tomará muito mais cuidado na hora de comprar carne nos supermercados. "Já não sou muito de comer carne, agora vou pensar muito bem antes de comprar. É horrível isso que fizeram. Nem comer com segurança podemos mais", disse.
Para o pedreiro Cornélio Medina, 58 anos, a preocupação maior é com o risco que os produtos adulterados representam para a saúde da população. "É perigoso ficar doente e até morrer. E depois, quem vai saber o motivo da morte? O jeito é correr da carne e comer mais verduras", comentou. A indignação também acaba sendo o sentimento sentido pelo consumidor. "Tudo isso por causa de dinheiro", lamentou o pedreiro.

(Vendedor diz que vai consumir somente o que produzir em seu sítio. Foto: Wesley Ortiz)
Com medo de adquirir carnes nos mercados da cidade, o vendedor Paulo Fialho, 55 anos, acredita que a solução para continuar consumindo o alimento seja a produção própria. ''Tenho um pequeno sítio e agora vou tentar me alimentar com o que produzo lá. Nem quando eu era criança e vivia na miséria me alimentava tão mal assim. Eles são covardes, estão nos vendendo lixo e nós estamos consumindo", ressaltou.
Segundo Paulo, a maior perigo está na mistura de cabeças de porco na carne. "Estamos correndo um risco muito grande. A cabeça do porco é extremamente perigosa e pode até matar. Não poderíamos estar passando por isso".
A operação
A Polícia Federal descobriu o esquema que envolvia funcionários do Ministério da Agricultura em Goiás, Minas Gerais e Paraná que receberiam propina para liberar carne para comercialização sem a fiscalização adequada. O esquema também envolvia funcionários de alguns frigoríficos.
Várias empresas do ramo estão sendo investigadas, entre elas a JBS, dona das marcas Friboi e Seara, que lidera o ramo de frigoríficos em Mato Grosso do Sul, com 22 unidades em todo o Estado.








