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Cidades

Após sexta morte em serviço, policiais querem entregar chaves das celas

26 novembro 2015 - 16h03Por Alessandra Carvalho

Com a sexta morte de um investigador em serviço nos últimos três anos, os policiais civis de Mato Grosso do Sul devem entregar as chaves das celas das delegacias em protesto. Segundo o  presidente do Sinpol (Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul), Giancarlo Miranda, o último caso representa mais uma vítima que perdeu a vida realizando uma atividade que não é função da categoria. 


“A escolta de presos é um assunto a ser discutido. Esse trabalho é para os agentes penitenciários. Os policiais civis não pode fazer escolta de custodiados. Eles não tem recompensa para isso. O policial civil forma-se na academia para investigar, realizar prisões e elucidar crimes, não para custodiar presos”, completa.


O último caso ocorreu na tarde de ontem (25), quando Anderson Garcia da Costa, 37 anos, foi agredido na cabeça e abdômen por um detento que estava dentro da cela de uma Delegacia de Pedro Gomes. O investigador não resistiu aos ferimentos e morreu a caminho do hospital de Campo Grande. O corpo dele foi encaminhado para a cidade de Cuiabá no Mato Grosso. Anderson estava há menos de um ano na Polícia Civil e deixa uma viúva grávida.


No sábado (21), em Itaquiraí, o investigador Arlei Marcelo Farias, 38 anos, também foi rendido e gravemente ferido no momento em que entregava as refeições para os 21 detentos custodiados na delegacia da cidade. Sozinho, Arlei foi agredido na cabeça com uma barra de ferro serrada da grande da cela. Após a agressão, cinco criminosos fugiram levando a arma e o carro do investigador. Ele está internado no hospital, mas passa bem.

Conforme a assessoria de imprensa do Sinpol, das 51 delegacias, 29 estão com ocupação entre 12,50% a 450% excedente em sua capacidade. Na delegacia de Pedro Gomes constam 10 presos custodiados.


Em junho, no dia 28, o investigador José Nivaldo de Almeida, 51 anos, lotado da Delegacia de Polícia de Tacuru, foi assassinado enquanto intervinha em uma troca de tiros em um bar próximo a sua residência. No dia 18 de março, Cláudio Roberto Alves Duarte, 39 anos, lotado na Delegacia de Polícia de Aral Moreira, morreu durante um assalto em Ponta Porã .

Já na noite do dia 28 de janeiro de 2014, Dirceu Rodrigues dos Santos, 38 anos, lotado na Derf (Delegacia Especializada em Roubos e Furtos) na Capital, foi morto por três tiros, na noite do dia 28 de janeiro de 2014, enquanto investigava um caso de roubo de jóias em Campo Grande.


O perito papiloscopista Marcílio de Souza, de 51 anos, lotado na Delegacia de Polícia de Paranhos, foi executado, no dia 12 de fevereiro de 2014, dentro de uma lanchonete quando voltava da Comissaria Paraguaia, após informar o furto de um trator ocorrido no município de Sete Quedas.


No dia 12 de março, Weslen de Souza Martins, 35 anos, lotado na Coordenadoria Geral de Policiamento Aéreo. Foi morto com três tiros disparados por um criminoso, ao tentar impedir um roubo a uma drogaria localizada em Campo Grande.


A diretoria do Sinpol-MS decidiu convocar a categoria para reunir-se em Assembleia com o intuito de deliberar sobre o tema, inclusive a possibilidade da entrega das chaves das celas das delegacias. A Assembleia Extraordinária será realizada nesta sexta-feira (27) às 11h30 na sede do Sinpol-MS em Campo Grande.