Cerca de 180 famílias assentadas há mais de dois anos na rua Ferreira Viana e em torno, no Jardim Noroeste, estão realizando uma manifestação pacífica nesta manhã de quarta-feira (19) para cobrar ações da Prefeitura Municipal de Campo Grande. A comunidade reivindica seus direitos e é contra a vinda dos moradores da Cidade de Deus, porque acredita que por estar no local há mais tempo, deveria ter "privilégios".
A questão é que a prefeitura comprou um terreno, localizado atrás do presídio e está fazendo a implementação de água e energia, com o propósito de levar as famílias da Cidade de Deus para o local. Mas quem já vive na região é totalmente contra, e acredita que é injustiça deixar muitas famílias desamparadas para trazer outros moradores para o bairro.
A conselheira de segurança e líder comunitária da região da Leon Denizart Conte, Mary Deleón está indignada com a situação, porque diz que deveria pensar nas famílias que já estão no local. “A prefeitura não está ouvindo os conselheiros da região, sabem da nossa existência, dos problemas diários que já enfrentamos, mas fecham os olhos”, desabafou.
A reivindicação dessas famílias assentadas é o fato de já morarem no local com pouca infraestrutura. Tanto é, que a Enersul cortou a energia ontem (18), de algumas famílias que faziam ligação clandestina, enquanto está disponibilizando fornecimento para os moradores da Cidade de Deus.
“O bairro já era um faroeste por conta da falta de segurança púbica, a preocupação é que vai ficar pior ainda. A criminalidade no local vai aumentar com a vinda deles. Não há empregos e nem vagas nas escolas”, desabafa uma das manifestantes, que preferiu não se identificar.
O presidente do Jardim do Noroeste e presidente do Conselho de Segurança, Carlos Henrique, está preocupado com o desfecho do caso. “O prefeito está agindo na surdina para trazer esse povo pra cá sem aval dos demais. Aqui só tem uma Unidade Básica de Saúde Familiar, sendo que são cerca 15.800 famílias que moram na região, abrangendo os bairros do entorno. No geral, falta infraestrutura e o prefeito vai trazer mais pessoas para superlotar e piorar as questões de saúde, educação e segurança. É uma calamidade”, diz.







