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Aumento de ‘flanelinhas’ no Centro preocupa população e é tema de audiência pública

Problema Social

26 FEV 2014
Aline Oliveira
07h00min
Divulgação

Os cidadãos que precisam estacionar veículos ou motos na região central da Capital enfrentam uma situação que já perdura por vários anos. É a presença dos guardadores de carro, popularmente chamados de ‘flanelinhas’. A cada ano, cresce o número de pessoas que fazem desta ocupação uma forma de ganhar dinheiro (atualmente existem 800 pessoas). No entanto, a Delegacia Regional do trabalho só confirma a existência de 35 guardadores registrados no Ministério do Trabalho.

 

Preocupado com a situação, o  presidente do Conselho Comunitário de Segurança da Região Central de Campo Grande, Adelaido Luiz Spinosa solicitou apoio aos parlamentares da Câmara Municipal e nesta quarta-feira (26), a partir das 18h30 será realizada uma audiência pública para avaliar o problema e discutir soluções que coibam o aumento dos guardadores não regulamentados.

 

“Há mais de um ano estamos monitorando a ação e o aumento dos ‘flanelinhas’ no centro da cidade. As reclamações são muitas, tanto dos comerciantes quanto dos cidadãos que precisam estacionar seus veículos ou motocicletas. Na maioria dos casos, as pessoas ‘pagam’ pelo serviço para evitar que o bem seja danificado”, detalhou Spinosa.

 

O conselheiro destaca que é inadmissível que se cobre uma tarifa dos veículos estacionados em logradouro público e alerta para a impunidade enfrentada pela população. “Se acontecer algo com o veículo, como uma batida ou um furto, os guardadores não irão se responsabilizar. Então não tem sentido pagar para que seu bem permaneça em segurança. Outra situação comum é que algumas destas pessoas tomam conta literalmente dos espaços para estacionamentos e entram em atrito com quem disputar o espaço”, ressaltou.

 

No entanto, Spinosa lembra que existem dois grupos de flanelinhas e que por isso é preciso encontrar uma forma de não prejudicar os que fizeram da ocupação uma profissão. “Temos guardadores que trabalham regulamentados e levam o sustento para a família. Agem com cortesia, não impõem valor e zelam realmente pelos veículos. Agora na contramão, existem pessoas que se apropriam disso para sustentar o vício de entorpecentes e não estão nenhum pouco preocupadas com o que pode acontecer”, argumentou.

 

Por considerar a situação um problema social, o conselheiro levará várias situações para serem discutidas na audiência pública. Entre elas, a ação da SAS no cadastramento e acompanhamento de vários guardadores que são moradores de rua e usuário de drogas e a posição da Agetran na questão dos estacionamentos. “Nosso apoio basicamente vem da Polícia Militar que realiza algumas fiscalizações ou comparece quando acionamos em situações de risco. Mas, isso não é trabalho da polícia e sim do poder público”, desabafa.

 

Depoimentos  – Um dos guardadores de motocicletas que atua na Rua Cândido Mariano quase esquina com a 13 de maio revelou em entrevista que fez da ocupação uma profissão, por ter se acidentado e não conseguir retomar as atividades. “Sou professor de capoeira documentado e tudo. Mas, em razão de uma fratura não consegui mais trabalhar. E no INSS disseram que agora não se pode mais aposentar por invalidez, então estou nesta luta há 10 anos”, confidenciou pedindo para não ser identificado.

 

O segundo entrevistado também pediu para que o nome não fosse citado e comenta que é o primeiro guardador de veículos regulamentado de Campo Grande. “Estou há 16 anos com esta atividade e tenho inclusive documento de micro empreendedor no Sebrae. O dinheiro que consigo não é muito, mas dá para pagar um aluguel e sustentar minha família. Mas, posso lhe garantir que não é fácil levar esta vida, tem que ter muita paciência e jogo de cintura”.

 

Participação do Legislativo – A vereadora Carla Sthepaninni é a propositora da audiência e contou com apoio da Comissão Permanente de Segurança Pública da Câmara dos Vereadores de Campo Grande. O objetivo do encontro é buscar soluções para o problema que cresce a cada dia e que preocupa a sociedade pela insegurança que causa aos municípes. 

 

A vereadora recebeu denúncias de que a maior parte dessas pessoas não têm nenhum preparo e ainda, ameaçam os proprietários de veículos, caso não se disponham a lhes remunerar pela prestação de um serviço que dificilmente é realizado.

 

Serviço – A audiência pública sobre a situação dos ‘flanelinhas’ na região central será realizada nesta quarta-feira, a partir das 18h30, no plenário Edroim Reverdito, na Câmara Municipal.

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