A Justiça cumpriu, na tarde desta sexta-feira (23), o despejo do projeto “Guerreiros do Amanhã” de um imóvel de 700 metros quadrados, localizado no Bairro Tiradentes. A ação foi movida pelo CRE (Centro de Recuperação Esperança) que trabalhou no mesmo local durante anos na recuperação de dependentes químicos.
Independente da briga judicial, que vem se arrastando há anos, a maior preocupação dos responsáveis pela parte despejada, os Guerreiros do Amanhã, é que quase 250 alunos não terão mais aulas de artes marciais.
“Aquilo é um espaço para ações sociais que estava abandonado. Nós conseguimos todo o material necessário para ajudar essas crianças que, agora, estão desassistidas em um bairro com o maior número de criminalidade, podendo se tornar vítimas do tráfico de drogas”, declara Silvio Pinheiro, presidente do projeto. Pinheiro defende ainda que os responsáveis pelo Centro querem o espaço para montar uma fábrica.

Do outro lado, a esposa do criador do CRE, Yara Estevam, diz que essa ação foi necessária, já que o professor de artes marciais, Rafael Perassoli Pinheiro, incitava a violência e apenas queria se apropriar do espaço.
“Ele suspendeu as aulas de ensino religioso e ensinou lutas para essas crianças, para se tornarem pessoas violentas. Quando a decisão de despejo foi decretada eles, por vingança, depredaram tudo aqui”, afirma Yara.

Entenda
O CRE funcionou no espaço cedido pela prefeitura por 36 anos. Em 2010 o local foi reduzido para a criação de duas ruas e, sem dinheiro para reforma, o projeto fechou as portas. Em 2013 Rafael assumiu parte do lugar para instalar o projeto Guerreiros do Amanhã.
Com o argumento de que Rafael não tinha alvará para realizar aulas com tantas crianças, a ONG recebeu uma notificação para sair do centro em novembro do ano passado e, em audiência na 8º Vara Cível, as partes entraram com um acordo. Na audiência, o grupo sairia em 17 janeiro de 2015.
Já no último dia 14, a outra ONG de responsabilidade de Rafael, a Associação Gerando o Progresso, conseguiu uma liminar pela 4º Vara de Fazenda Pública para continuar no espaço e garantir a manutenção. Essa liminar foi derrubada pelo TJ/MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) na tarde de quinta-feira (21).
Hoje o projeto foi fechado e nenhuma criança teve aula. Segundo o Pinheiro, pai de Rafael, o professor não compareceu e preferiu não se pronunciar por estar doente. “Com tudo isso que está acontecendo, meu filho ficou doente e preferiu não se pronunciar”.







