Nesta noite de quarta-feira (04), por volta das 21h, indígenas da Aldeia Urbana Água Bonita, entraram em confronto com um casal que estava de mudança para a região. Edilene de Souza e seu marido Sidnei Aquino Pereira, 27 anos, foram ameaçados enquanto finalizavam a mudança para uma das casas localizadas dentro da aldeia, que fica na região norte de Campo Grande, próximo ao Bairro Tarsila do Amaral.
O suposto cacique de nome Nito Nelson, 51 anos, teria reunido vários índios armados com arco, flecha e porrete, cercando a residência para impedir a mudança. Segundo os moradores que presenciaram a cena o ato foi bastante violento. "Eles são uma quadrilha de Guaranis porque não podem andar armados, somos uma aldeia urbana, não estamos dentro do mato", desabafou Maria de Jesus, de 40 anos.
A princípio, o tumulto ocorreu porque Nito disse que não pode haver venda de casas na aldeia. Ele proibiu a mudança envolvendo na confusão outros indígenas, além da sua mulher, Leda Rodrigues e Alexandro Laurindo Nelson. Populares relataram que Leda chegou atirando na direção de Edilene, que está de resguardo, porque sua bebê tem apenas um mês. As testemunhas intervieram na ação e a flecha acabou atingindo a bolsa da recém-nascida.
Edilene contou que ficou bastante amedrontada, temendo pela vida da sua outra filha de 8 anos e da bebê, que tinha se tornado alvo das flechas. "Temi pela vida dos meus filhos, apontaram a flecha para o meu bebê. Tivemos que dormir na casa de amigos, porque ameaçaram retornar. O Nito retirou todos os pertences da casa, foi horrível", contou.
Os indígenas só foram contidos com a chegada da Polícia Militar no local. A chave da residência foi levada para a delegacia, já que todos não entraram em acordo. Apenas na manhã de hoje (05), que a família foi buscar as chaves, mas ainda estão apreensivos com a mudança.
O casal que foi vítima veio de Aquidauana e como Sidinei não pertence a etnia, ele foi bastante hostilizado, sofrendo preconceito pelo fato de ser negro. O delegado que atendeu a ocorrência informou que não tem jurisprudência sobre o caso, mas que eles poderiam apenas tratar sobre a questão do racismo.
Índios
Os indígenas alegam que Nito perdeu o posto de cacique no dia 30 de abril, já que deveria ter sido convocada uma assembleia para eleger um novo cacique. Segundo os moradores da região, a Associação dos Índios de Água Bonita é composta por 60 membros, e como estava para vencer seu mandato, Nito teria forjado uma nova eleição e convocou apenas seus familiares para votar.
No entanto, toda a eleição tem que ser publicada no Diário Oficial e fazer uma Ata em jornal de grande circulação. Mas, a maioria dos indígenas alegam que ele simplesmente foi no cartório oficializar o mandato. Mediante a tal situação, os membros da Associação entraram com uma ação para revogar o caso.







