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Carga horária e estrutura ruim afligem médicos do SUS, denuncia médico crítico de gestões na Saúde

Precarização do atendimento adoece profissionais e causa até suicídios, diz o profissional

11 MAI 2019
Thiago de Souza
07h00min

Crítico de gestões na Saúde de Mato Grosso do Sul e ex-assessor da CPI da Saúde, em 2014, o médico Ronaldo de Souza Costa apontou, ao TopMídiaNews, que dois fatores ''espantam'' profissionais de saúde da rede pública: a carga horária menor que 40 horas semanais e a péssima estrutura das unidades de saúde.

Conforme Souza, a carga horária inferior a 40 horas semanais faz com que os profissionais tenham de buscar dois contratos no SUS e ainda atuar na rede privada, o que gera precariedade no atendimento.

''Assim você não fideliza o médico naquele lugar, ele não desenvolve pesquisa naquele lugar, ele não consegue enxergar a realidade epidemiológica daquele lugar. Ele tem de sair sai correndo de um lugar pro outro'', critica Ronaldo.

O médico reconhece que não fala em nome da classe médica, mas se diz estudioso do assunto ''saúde pública''.

''Como você contrata um médico por três mil de salário, para 12 horas, e quer que esse médico resolva os problemas da saúde do município?", questiona. Ronaldo segue com as críticas e diz que as secretarias de Saúde devem fazer contratos para 40 horas semanais.

''Se você somar o salário do médico que atua na Santa Casa, no Hospital Regional e no Hospital Universitário, ele vai reunir um montante para trabalhar em um lugar só'', aponta.

Na questão da falta de estrutura em muitas unidades de saúde, Ronaldo diz que recentemente foi aprovado o novo Código de Ética Médica, que segundo ele, o profissional pode se recusar a atender caso não haja boas condições de trabalho.

''Quem é que fiscaliza as condições de trabalho nas instituições públicas? Não existe. Por isso elas vão continuar ruins e não identificadas'', explica o profissional.

A precarização do atendimento médico, diz Ronaldo, gera insatisfação da população e prejuízos irremediáveis aos profissionais da saúde.

''Às vezes trabalham mais de 40 horas. Você [TopMídiaNews] noticiou vários médicos e enfermeiros que se suicidaram ou ficaram doentes''. ''Medicina não pode ser um mercado, tem de ser por vocação'', finaliza o profissional.  

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