Durante a vistoria realizada na tarde desta sexta-feira (11), pelo promotor do Ministério Público do Trabalho (MPT), Paulo Douglas Almeida de Moraes, no Lixão, alguns catadores denunciaram a presença de lixo hospitalar no local.
"Esta situação é comum, fica tudo misturado por aqui", afirmou um catador que não quis se identificar. A denúncia gerou desconforto entre os trabalhadores e enquanto alguns reclamavam, outros tentavam amenizar a situação.

Segundo Josuel da Silva Trindade, de 25 anos, que trabalha há quatro anos no Lixão, a situação foi provocada por "falta de comunicação" entre catadores e os responsáveis pela empresa CG Solurb, que administra a coleta de lixo em Campo Grande.
"Este material está em uma área que não usamos. Era só ter avisado a empresa e eles iriam solucionar, mas isso não aconteceu, preferiram apontar o problema que falar direto com eles", declarou. Diante da denúncia, o promotor afirmou que o caso será investigado.

"É possível que alguns não queiram relatar o problema para não correr o risco de interrompermos as atividades e assim perderem a fonte de renda, mas esta situação não pode ser aceita. Estamos verificando e se encontrarmos algo que exponha risco à saúde dos catadores, não poderemos permitir que continuem o trabalho", afirmou.
O encarregado operacional e responsável pelo aterro sanitário, Gustavo Pitaluga, alegou que este tipo de situação pode ocorrer pela falta de cuidados no momento do descarte do material hospitalar e de uso veterinário.

"Nem todo mundo realiza o descarte conforme o Plano de Gerenciamento de Serviço de Saúde (PGRSS) estabelecido de acordo com a RDC 306 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Resolução 358/05 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e esse lixo acaba vindo para cá", justificou.
Questionado sobre o procedimento adotado em situações como a que foi denunciada pelos catadores, Pitaluga disse que as providencias serão adotadas, no entanto, ressaltou que não é possível evitar que isso volte a ocorrer.

"Já fizemos o aterro desse material e faremos novamente, mas é difícil porque não temos como controlar. Algumas pessoas que fazem uso de insulina, por exemplo, jogam o material em lixo normal e não temos o que fazer quanto a isso", explicou.
Vistoria - Segundo o promotor, a vistoria realizada nesta tarde teve com o objetivo de verificar o cumprimento das exigências para que os catadores continuem com as atividades no local e de confirmar a desobrigatoriedade do uso de manguete, que foi solicitado pelos catadores.








