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há 11 anos

Cidade de Deus está em pânico, enquanto prefeito fala de esperança

Abismo

Moradores da maior favela de Campo Grande, Cidade de Deus, estão vivenciando momentos de pânico, com o impasse da mudança para o Jardim Noroeste. Muitos estão com receio de deixar o “barraco” para irem trabalhar, ou até mesmo ao médico e, quando voltar, não restar mais nada. O receio é geral, porque a Prefeitura Municipal de Campo Grande tinha anunciado que a transferência aconteceria nesta quinta-feira (15). Por outro lado, o prefeito Gilmar Olarte (PP) fala de esperança e se defende dizendo "cuidar" do povo.

O sentimento de incerteza das 250 famílias por não saber para onde iriam, se transformou em medo, diante da atual situação. “Por que o prefeito está escondido? Estamos desamparados. Estou com medo de ir trabalhar e a prefeitura vir derrubar tudo com a patrola”, contou Mariluce Magalhães, de 33 anos, que vive com seus filhos em um dos barracos há cerca de dois anos.

Marina Surubi, de 32 anos, compartilha do mesmo sentimento, mas o medo se alia à tristeza. “É muito triste, primeiro eu tinha um lugar para morar, agora, não sei o que será de nós, tenho duas filhas. O prefeito se diz evangélico, então tinha que lutar por nossos direitos. Mas ele se esqueceu de nós, que somos seres humanos. Que religioso é esse que não está nem aí pro povo. Ele deveria seguir a bíblica e amar ao próximo”, desabafa.

“Choro todo dia, com essa situação”, lamenta Edna Marcelina da Silva, de 58 anos, que vive sozinha no local e resolveu deixar de levar os exames para poder operar de um nódulo nas costas por estar preocupada. “Estou com medo de ir ao médico e o trator passar. Nós já não temos muitas coisas, para os outros destruírem”. Natália da Silva, de 58 anos, contou que tem dois filhos, de 5 e 11 anos, e que nem conseguiu matriculá-los na escola pelo mesmo motivo.

 Foto: Landerson Ricardo

Ângela Vaz, de 51 anos, que vive no local com suas filhas (Foto: Landerson Ricardo)

“Minha filha perdeu o serviço. Ela teve que faltar no dia que a Prefeitura agendou a desocupação e daí o patrão tinha liberado. Mas depois teve que faltar de novo e foi mandada embora. Arrumamos tudo esperando para sair, evitar confrontos com a polícia e ninguém veio nos dar satisfação”, contou Ângela Vaz, de 51 anos, que vive no local com suas filhas.

Em meio a revolta, há quem tenta se conformar, como no caso de Santina Wilmes, de 61 anos, que diz não desejar a mudança para o Jardim Noroeste porque seus médicos estão na Cidade de Deus, mas se não tiver jeito, ela vai com o marido. “Se for necessário eu mudo, mas melhor é se tivesse uma casa no local”, concorda o vizinho dela, Jorge Antônio da Silva, de 38 anos, que vive com a esposa grávida e mais um filho dela.

 Foto: Landerson Ricardo

  (Foto: Landerson Ricardo)


Muitos dos moradores alegam que já têm registro na Agência Municipal de Habitação (Emha) e por não ter condições financeiras foram parar na favela, já que vivem do lixão do Dom Antônio Barbosa. Algumas famílias já estão abandonando de vez seus barracos, com medo de serem obrigadas a irem para um bairro distante do trabalho e escola dos filhos. Enquanto a situação não se define, a comunidade vive em condições insalubres e de risco, já que fizeram ligações clandestinas, desde que o gerador foi retirado pela prefeitura.

Outra versão

Durante a agenda do prefeito, nesta manhã de sexta-feira (16), Olarte informou que a população de Campo Grande precisa de esperança, diante disso, foi questionado a respeito da situação dos moradores da Cidade de Deus. “Estamos cuidando deles, preparando tudo e cuidando muito bem dessas famílias. Já foram entregues kits (de carpinteiro e preparação dos terrenos) que pediram e agora estamos esperando a decisão da Polícia Militar e do Conselho de Segurança. Temos que mudar a população”, revelou.

 Foto: Landerson Ricardo

 (Foto: Geovanni Gomes)

Olarte contou ainda que, recentemente, foi ao UBSF da região do Jardim Noroeste para dobrar as equipes de atendimento médico, para poder atender a população com dignidade, inclusive, quem vai mudar para o bairro. Também disse que está cuidando de todas as questões estruturais dessa mudança, tanto é, que fez parceria com o arcebispo da Capital, Dom Dimas, com isso, algumas áreas da arquidiocese serão cedidas às famílias que necessitam de moradias.

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