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Cidades

Com obra parada, peixes do Aquário do Pantanal são mantidos pelo Imasul

23 novembro 2015 - 11h17Por Rodson Willyams e Dany Nascimento

O Governador Reinaldo Azambuja, do PSDB, disse durante agenda pública realizada na manhã desta segunda-feira (23), que o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) segue cuidando dos peixes que seriam exibidos no Aquário do Pantanal. O empreendimento que está com 95% das obras concluídas foi paralisado pelo governo, após a constatação de irregularidades. Os investimentos ultrapassam mais de R$ 170 milhões dos cofres públicos.

Durante agenda coletiva, o governador comentou sobre o estado deles. "Os peixes do Aquário estão vivos e muito bem cuidados pelos técnicos do Imasul", se limitou a dizer.  Após a mortes do peixes, o Governo do Estado chegou a cogitar a possibilidade de devolver os peixes à natureza ou encaminhá-la para doação por meio de entidades carentes, mas a proposta não foi levada adiante.

No início deste mês, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos confirmaram que as obras do Aquário do Pantanal ficarão paralisadas por 120 dias, o que seria para ser finalizada em 2014, não será se quer entregue em 2015.

De acordo com a assessoria do Governo do Estado, a decisão foi tomada depois que a construtora responsável pelas obras, Egelte Engenharia conseguir uma liminar na Justiça para abandonar a empreitada. Com isso, a obra acabou paralisada. 

Mortalidade

Em junho, o Laboratório Anambi produziu um relatório entregue à Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul) revelou a mortalidade de 80,8% dos peixes que estavam em  quarentena para o Aquário do Pantanal. O documento assinado pelo coordenador do projeto, Thiago Farias Duarte, e pelo diretor do Anambi, Geraldo Augusto da Silva, feito entre novembro de 2014 e abril deste ano, constratou a morte de 10.160 peixes, principalmente das espécies amazônicas como as arraias, tetras e piabas. 


Cerca de 80% dos animais, em especial os de origem asiática (barbus, labeos, entre outros), australiana (peixes arco-íris), africana (ciclídeos, bagres, etc.) e da Bacia Amazônica, foram a óbito pelas variações de temperatura, 10% por um surto de bactérias de origem desconhecida que atingiu principalmente os peixes locais e 10% por causa da captura.

Conforme o relatório, a maioria dos animais retirados de seu habitat natural apresentaram hemorragias, lesões corporais, olhos saltados, coloração anormal, nadadeiras desfiadas ou necrosadas, e letargia, entre outros problemas.

Estavam em quarentena 12,5 mil exemplares de 131 espécies de peixes de água doce, sendo que 68% de espécies eram pantaneiras, retiradas dos municípios de Corumbá, Jaraguari, Miranda, Bonito, Nioaque, Piraputanga, Coxim e Aquidauana, 13% da bacia Amazônica, 8% da África, 4% Oceania e 7% da Ásia.

A captura, manejo e armazenamento das espécies é alvo de investigação do MPE-MS (Ministério Público Estadual). Inquérito conduzido pela promotora Luz Marina Borges Maciel Pinheiro, da 26ª Promotoria de Justiça do MPE, investiga irregularidades no tratamento dos animais e nas licenças ambientais.

Gastos

Para o fechamento do pavilhão de 1500 m² em que os animais foram armazenados, o Governo do Estado gastou R$ 255 mil, somados com R$ 1.298.553,82 para aquisição de materiais de pesquisa e de escritório, como freezer e geladeiras para armazenagem de remédios e amostras, tanque rede, armários e notebooks.

Além disso, o governo precisou desembolsar R$ 330.956,01 para a compra de camionete a ser usada pelo projeto quarentena, bombas d’água, plataformas, entre outros. Estes valores não consideram os custos com manutenção do sistema e a folha de pagamento da equipe, que somou R$ 85,3 mil entre setembro de 2014 e março deste ano.