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Considerada pior estrada brasileira, BR-319 será reformada

BR-319

9 DEZ 2013
Agência Senado
17h07min
Divulgação


A população de Porto Velho e de Manaus deve começar em breve a ver melhorias na rodovia que liga as duas capitais - a BR-319, considerada a pior estrada federal do país. Na audiência da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) na última sexta-feira (6), representantes de entidades de licenciamento ambiental e de execução de obras firmaram o compromisso de acelerar entendimentos sobre obras no trecho central, de aproximadamente 400 quilômetros.


A manutenção da estrada está pendente por falta de autorização do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) para a coleta de animais, necessária para a avaliação da fauna local - parte fundamental do estudo de impacto ambiental das obras na região.


A diretora de licenciamento ambiental do Ibama, Gisela Damm Forattini, explicou que o documento, elaborado por uma empresa privada contratada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), precisa ser complementado e por isso a análise está sendo demorada.


"O termo de referência de estudos ambientais, de 2007, estava incompleto e já encontra-se fora do prazo de validade. Em 2009 pedimos novas complementações. Só em 2010 foram retomadas as reuniões com o Dnit para elaboração do plano de fauna. Depois, o Dnit interrompeu as reuniões, que foram retomadas em março de 2013. Em setembro passado o Dnit protocolou novo estudo para o plano de fauna, que se encontra em análise", afirmou a diretora.


Gisela Forattini comentou que estudos ambientais são devolvidos por "absoluta incapacidade técnica. Os bons projetos levam a um licenciamento ambiental rápido e consistente, de qualidade", disse.


Expedição - A audiência, presidida pelo senador Acir Gurgacz (PDT-RO), ocorreu depois de expedição realizada na estrada entre 24 e 26 de novembro. Um grupo de 65 pessoas e 22 veículos percorreu a rodovia colhendo depoimentos de moradores das cidades e informações técnicas.


Agricultores e comerciantes contaram ser impossível continuar trabalhando sem a estrada. Eles estimaram em 30% as perdas de cargas perecíveis por conta das dificuldades do trajeto, que pode demorar dias. Participaram da expedição representantes do Ministério dos Transportes, do Dnit e do Ibama, além de entidades empresariais, agrícolas e associativas de Rondônia e do Amazonas.


Durante o debate desta sexta-feira, o diretor-geral do Dnit, José Ernesto Fraxe, lamentou as condições da estrada construída no final dos anos 1960. Segundo ele, "o Brasil está andando para trás". "Em 1974 eu percorri o trecho Humaitá-Manaus todo asfaltado. Era um tapete. E agora falta um mundo de coisas para refazer a estrada. Não estou contestando as exigências dos órgãos ambientais. Mas o governo, por meio do Dnit, já gastou R$ 70 milhões para demarcar 12 milhões de hectares em unidades de conservação por exigência do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade e continuamos na estaca zero", lamentou.


A solução apresentada por Fraxe foi criar uma estrada-parque, com drenagem profunda e bem feita, com capa de asfalto de excelente qualidade, inclusive reaproveitando os restos da estrada atual. Na sua opinião, a administração da rodovia deve ser feita pelas Forças Armadas. " Botem o Exército para cuidar da casa. Eles conhecem a selva como ninguém".

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