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quarta, 21 de outubro de 2020
Cidades

Depois de anos, fome chega com mais intensidade em MS

Pandemia e desemprego potencializam ainda mais cenário de pobreza extrema e pedidos de ajuda de alimentos são rotineiros

20 setembro 2020 - 07h00Por Nathalia Pelzl

Mesmo com avanços econômicos, sociais, tecnológicos, a falta de comida ainda se faz presente em Mato Grosso do Sul. Não ter um prato de comida na mesa, ou leite das crianças, é traumático para pais, mães e chefes de família.

E, conforme balanço do IBGE, divulgado nesta semana, que mensurou as estruturas de consumo, dos gastos, dos rendimentos e parte da variação patrimonial das famílias, a fome chegou com mais intensidade nos últimos quatro anos.

Entraram na conta somente os moradores em domicílios permanentes, ou seja, estão excluídas do levantamento as pessoas em situação de rua.

Em 2004, 73,9% dos domicílios em Mato Grosso do Sul, possuíam segurança alimentar, ou seja, que conseguia ter acesso a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais.

Contudo, dados apontam que essa segurança caiu para 63% dos domicílios nos últimos dois anos. A insegurança alimentar leve, que significa ter preocupação com alimento, incerteza da quantidade necessária para atender a família, que antes era de 12,9%, chegou a 25,9%.

Já a insegurança alimentar moderada caiu de 12,9%, em 2004, para 6,7% em 2017 e a insegurança grave, que significada redução significativa de alimentos também entre crianças, falta de alimento para os moradores da mesma família, caiu de 5% para 4,5%.

Cerca de 141 mil pessoas, em 41 mil domicílios, passaram por privação quantitativa de alimentos, que atingiram não apenas os membros adultos da família, mas também suas crianças e adolescentes.

Mato Grosso do Sul tem o 12º maior percentual de domicílios com algum grau de insegurança alimentar e o maior percentual da região Centro-Oeste.

Exemplos já relatados pelo TopMídiaNews

A auxiliar de limpeza Daiana Armando, 29 anos, que mora no Jardim Aero Rancho, foi um dos exemplos relatados. Na ocasião, ela pedia ajuda da população para dar o que comer aos quatro filhos.

“Mora eu, meu esposo, meu filho de 11 anos, minha filha de 10 anos, minha outra filha de 9 anos, minha bebê de sete meses, meu sogro e o irmão dele. Tem dias que eu não tenho arroz e feijão para dar para meus filhos”, diz a mulher.

Para ajudar a família ligue (67) 9 9232-6827.

Valeria Rodrigues dos Santos, 39 anos, também fez apelo ao TopMídiaNews. Ela buscava fraldas e alimentos para a mãe Elza Rodrigues dos Santos, 68 anos. A idosa já teve 5 AVCs (Acidente Vascular Cerebral) e fraturou os dois fêmures.

O endereço da família é na Rua Otávio Augusto, 186, Vila Romana. O telefone para contato é o (67) 9 8132-2517.

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