Mais de três mil pessoas estiveram na praça do Rádio Club na manhã desta sexta-feira (1), no centro de Campo Grande. Cartazes, bandeiras e gritos de ‘fora Olarte’ deram o tom da festa de quem se divide quando o assunto é comemoração.
“Não temos que comemorar nada, nunca tivemos nossos direitos tão violados em Campo Grande”, disse a professora efetiva da rede municipal, Rosana Florença. Na segunda-feira (4), a categoria definirá em assembleia se cruzará os braços.
Sem avanços na negociação com o prefeito Gilmar Olarte (PP), os professores não abrem mão do cumprimento da lei do Piso e o pagamento do reajuste de 13,01%, índice estabelecido pelo MEC para a correção do Piso Nacional do Magistério, em 2015.
“Nosso sentimento é de revolta, de desvalorização. Somos os profissionais que formam todos os outros profissionais e nunca fomos tratados com tanto desrespeito”, reclama a professora Zélia Aguiar.

Para o presidente do sindicato campo-grandense dos profissionais da educação pública (ACP), Geraldo Gonçalves, se há “desorganização” nas finanças do município, são os gestores que devem arcar com elas. “Nos chamam para reuniões apenas para ficar chorando as contas da prefeitura, nós não temos culpa disso, o trabalhador de Campo Grande não tem culpa disso. Eles tem a obrigação de cumprir a lei”, disse.
Médicos da rede pública também compareceram em peso à praça. Com paralisação marcada para a próxima quarta-feira (6), os profissionais da saúde fizeram de Olarte o maior alvo de queixas. “Estamos vivendo o maior caos da história da saúde municipal. Tenho 20 anos de Sesau [como servidora da Secretária Municipal de Saúde Pública] e nunca vi tanto descaso”, disse a enfermeira que preferiu não identificar.
Além da falta de estrutura e descaso com os profissionais, a Sesau tem deixado de garantir condições básicas de atendimento à população. “Nós não temos soro, não temos remédios, não temos nada. Toda semana falta um medicamento. Deixamos de cumprir metas de vacinações porque não temos vacinas”, reclama.

Já o dentista Luciano Brandão, reclama dos cargos comissionados mantidos pelo atual prefeito. “Se ele acabasse com os 21 milhões de reais que gasta com comissionados, teria dinheiro para pagar os servidores e para comprar medicamentos. Para onde está indo o dinheiro da saúde?”, questiona.
Para o presidente do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed), Valdir Shigueiro Siroma, a única saída foi a paralisação. “Fizemos uma proposta e recebemos como contraproposta reajuste igual a 0%. Com uma inflação batendo a porta de 8%, não há outra saída”, disse.
Além disso, cortes em plantões médicos eventuais e as péssimas condições de trabalho são reclamações recorrentes dos profissionais. “Apenas 30% dos 1.400 médicos da rede pública vão continuar trabalhando. Quem sofre com isso é a população”, lamentou.







